Etiópia e Eritreia lançam ofensiva conjunta em Tigray

Tropas dos dois países atacaram combatentes na área de Adayabo, no norte da Etiópia, denunciam os rebeldes de Tigray. O conflito foi retomado na semana passada após uma pausa de cinco meses.

As forças do governo etíope e da Eritreia lançaram um ataque conjunto na região de Tigray, no norte da Etiópia, contra as forças rebeldes da região. Getachew Reda, porta-voz da Frente de Libertação Popular Tigray (TPLF), disse esta quinta-feira, citado pelas agências internacionais, que as forças de ambas as nações atacaram rebeldes em Adayabo.

O conflito regressou na semana passada após uma pausa de cinco meses em que as negociações não tiveram qualquer efeito. Confrontos no solo e ataques aéreos sobre Tigray estão de volta, frustrando qualquer esperança de uma solução pacífica para uma guerra que grassa há quase dois anos.

Segundo a mesma fonte, os combates concentraram-se em torno da fronteira sudeste de Tigray, com os rebeldes tentando avançar nas regiões vizinhas de Amhara e Afar.

Entretanto, o governo etíope do primeiro-ministro Abiy Ahmed acusou a TPLF de lançar “uma invasão na direção de Wag, Wolqait e nas áreas de fronteira com o Sudão [região de Amhara]”, a oeste do local dos confrontos mais recentes.

Mas os rebeldes alegam que o governo e a Eritreia – que apoiou as forças federais durante a fase inicial da guerra – foram responsáveis ​​pela abertura de uma nova frente de combate. “O regime de Abiy, juntamente com o regime de Asmara, lançou uma ofensiva nessas frentes. Estamos a defender as nossas posições”, disse o porta voz.

Entreyanto, surgiram relatos de uma nova ofensiva contra a capital de Tigray, Mekelle, atingida pelo segundo ataque aéreo desde sexta-feira. O ataque ocorreu perto do hospital geral de Mekelle, disse fonte do próprio hospital. Getachew afirmou que o ataque não podia visar qualquer alvo militar – inexistente no local – o que quer dizer que foi premeditadamente danoso para a população civil.

Recorde-se que, há poucas semanas, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ele próprio de etnia Tigray), descreveu o conflito na região etíope como “o pior desastre na Terra” e questionou-se se será devido “à cor da pele” que o mundo não ajuda a que seja encontrada uma solução para o conflito.

Os combates deslocaram milhões de pessoas, matando e empurrando para a fome milhares de civis. Ghebreyesus firmou que os seis milhões de habitantes de Tigray estão essencialmente “sitiados” há 21 meses. “Não ouvi nos últimos meses nenhum chefe de Estado de nenhum país desenvolvido falar da situação no Tigray. Porquê?”, questionou.

 

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