Etiópia: UE saúda fim de hostilidades entre Adis Abeba e Tigray e oferece apoio

O presidente do Conselho Europeu saudou o acordo entre o governo etíope e os rebeldes do Tigray para o fim das hostilidades na região norte da Etiópia, em conflito há dois anos.

O presidente do Conselho Europeu saudou o acordo entre o governo etíope e os rebeldes do Tigray para fim das hostilidades na região norte da Etiópia, em conflito há dois anos, disponibilizando apoio da União Europeia (UE).

“Saúdo o acordo sobre a cessação das hostilidades na Etiópia ras à mediação da União Africana”, reagiu Charles Michel, numa publicação na rede social Twitter.

Horas depois do anúncio do acordo, o responsável salientou que “a UE está pronta para apoiar os próximos passos”, numa altura em que, a seu ver, deve ser dada “prioridade para assegurar assistência humanitária e restaurar os serviços básicos”.

“A implementação [deste acordo] é crucial”, sendo este “importante para consolidar o primeiro passo para uma paz e reconciliação duradouras”, salientou Charles Michel.

O Governo etíope e os rebeldes do Tigray concordaram com uma “cessação das hostilidades” na região norte da Etiópia, em conflito há dois anos, nas conversações de paz em Pretória, anunciou hoje o mediador da União Africana (UA).

“As duas partes do conflito etíope concordaram formalmente em cessar as hostilidades”, disse Olusegun Obasanjo, o alto representante da UA para o Corno de África, numa conferência de imprensa em Pretória, na África do Sul, onde decorriam, desde 25 de outubro, as conversações de paz.

O responsável avançou que o Governo do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, e as autoridades do Tigray chegaram também a acordo para um “desarmamento ordenado, suave e coordenado”, juntamente com o “restabelecimento da lei e da ordem”, o “restabelecimento dos serviços” e o “acesso sem entraves aos fornecimentos humanitários”.

A guerra, que cumpre dois anos na sexta-feira, registou abusos de ambos os lados. O conflito deixou a região isolada, com comunicações e ligações de transporte em grande parte cortadas. Até meio milhão de pessoas foram mortas, de acordo com as Nações Unidas. Mais de dois milhões de etíopes foram deslocados e centenas de milhares foram mergulhados em condições de quase inanição.

A Eritreia, que lutou ao lado da vizinha Etiópia, não fez parte das conversações de paz, pelo que se desconhece até que ponto o seu governo profundamente repressivo, que há muito considerava as autoridades do Tigray uma ameaça, irá respeitar o acordo.

As forças eritreias foram acusadas de terem cometido alguns dos piores abusos do conflito, incluindo violações de gangues e testemunhas descreveram mortes e pilhagens pelas forças eritreias mesmo durante as conversações de paz.

A guerra intensificou-se nas últimas semanas depois de novos combates terem eclodido em agosto, após uma trégua humanitária de cinco meses acordada entre as partes.

O conflito estalou em 04 de novembro de 2020 após um ataque da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês) à base principal do exército em Mekelle, na sequência do qual o Governo de Abiy Ahmed ordenou uma ofensiva contra o grupo após meses de tensões políticas e administrativas.

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