EUA apoiam sanções da CEDEAO contra junta militar da Guiné-Conacri

Os Estados Unidos da América (EUA) apoiaram hoje as sanções adotadas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) contra a junta militar no poder na Guiné-Conacri, pedindo uma rápida mudança para uma “democracia constitucional”.

Michael Reynolds/EPA via Lusa

“Os Estados Unidos elogiam as fortes ações tomadas pela CEDEAO em defesa da democracia na Guiné após a sua Cimeira Extraordinária em 20 de setembro na cidade de Nova Iorque. Compartilhamos a preocupação da CEDEAO de que o Governo de transição não tenha feito progressos no estabelecimento de um cronograma de transição e na organização de eleições”, indicou o Departamento de Estado norte-americano em comunicado.

Os EUA “apoiam as ações da CEDEAO destinadas a incentivar o Governo de transição a mover a Guiné rapidamente para uma democracia constitucional liderada por civis através de um processo transparente e consultivo”, acrescenta a nota assinada pelo porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Os dirigentes dos Estados da África ocidental decidiram, numa cimeira extraordinária na quinta-feira à noite, em Nova Iorque, aplicar “sanções progressivas” contra a junta militar no poder na Guiné-Conacri.

“Decidimos aplicar sanções contra a Guiné”, declarou o presidente da comissão da CEDEAO, Omar Aliou Touray, no final de uma cimeira à porta fechada, em Nova Iorque, à margem da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A decisão foi tomada perante a inflexibilidade dos militares em reduzir o período de transição do poder para os civis, previsto em 36 meses, para 24.

Reunidos durante várias horas, os líderes da CEDEAO, com exceção do Mali, da Guiné-Conacri e do Burkina Faso, países dirigidos por juntas militares, exigiram também a libertação de 46 soldados da Costa do Marfim, detidos no Mali.

Na quarta-feira, o presidente em exercício da CEDEAO e chefe de Estado da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, tinha advertido que a junta militar na Guiné-Conacri poderá enfrentar “pesadas sanções” se insistir em permanecer no poder por mais três anos.

Em julho, Embaló afirmou ter convencido a junta militar, que chegou ao poder através de um golpe de Estado, em setembro de 2021, a reduzir o período de transição do poder para os civis para 24 meses, mas as autoridades nunca confirmaram e mantêm os 36 meses.

Desde 2020, a região da CEDEAO, que conta 15 países-membros, tem assistido a uma onda de golpes de Estado, nomeadamente no Mali, na Guiné-Conacri e no Burkina Faso e alarmada com o risco de contágio a outras nações da zona tem multiplicado mediações e pressões para o regresso ao poder dos civis nestes países.

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