EUA: Com a inflação a acelerar, Fed deve anunciar um aperto da política monetária esta quarta-feira

Depois do maior crescimento homólogo de preços desde 1982 na leitura de novembro, a autoridade monetária norte-americana deve anunciar esta quarta-feira uma aceleração no fim do programa de compra de ativos, deixando antever uma subida das taxas de juro já no próximo ano.

Chairman da Reserva Federal dos EUA, Jerome H. Powell (AFP)

Esta quarta-feira marca o segundo dia da reunião mensal de política monetária nos EUA e o anúncio da decisão da Reserva Federal sobre o programa de compra de ativos atualmente em curso no país, com os mercados a esperarem uma tomada de posição mais agressiva por parte do banco central da maior economia do mundo, depois do seu presidente ter alterado o discurso relativamente às pressões inflacionárias que ali se fazem sentir.

Com a leitura da inflação mais elevada desde 1982 a surgir em novembro deste ano, quando o indicador atingiu os 6,8% de variação homóloga, tornou-se evidente que a Fed teria de alterar o seu discurso quanto a este fenómeno. Simultaneamente, a preparação que vinha sendo feita para uma retirada gradual dos estímulos à economia e uma subida das taxas de juro apenas em 2023 também se tornou inadequada, dada a urgência em conter a subida de preços.

Jerome Powell, o presidente da autoridade monetária que foi recentemente reconduzido neste cargo, deixou de classificar os motores deste fenómeno como “transitórios” na sua audição no Senado dos EUA, há duas semanas, deixando antever um apertar da política da Fed mais cedo do que inicialmente previsto. Tal havia sido já sinalizado relativamente ao programa de compra de ativos de emergência, mas o cenário estende-se agora às taxas de juro.

Assim, os analistas do banco ING preveem que o ritmo de redução do montante passe dos 15 mil milhões de dólares (13,31 mil milhões de euros) definidos para novembro e dezembro para 30 mil milhões de dólares (26,62 mil milhões de euros) em janeiro e fevereiro, o que significaria uma aceleração do tapering já anunciado.

A AllianzGI reforça que os investidores anteciparão já este apertar de posição da Fed, o que está espelhado na “queda significativa nas expetativas de inflação e o aumento dos juros de curto prazo” que refletem já o endurecer da política monetária.

“A Fed parece, por isso, finalmente pronta a esclarecer uma linha de conduta que parecia pouco clara e inadequada para a realidade de alta inflação”, resume a análise da empresa de gestão de investimentos do grupo Allianz, que projeta ainda que a autoridade monetária norte-americana possa “deixar espaço de manobra para si própria, de modo a ter total liberdade para aumentar os juros se necessário, sem estar presa a orientações futuras muito restritivas”.

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