EUA. Desinformação sobre eleições intercalares continua a aumentar

Teorias de conspiração sobre boletins de voto por correspondência, mensagens anónimas para os eleitores ficarem em casa e desinformação eleitoral nas redes sociais são obstáculos a superar nas primeiras eleições intercalares da presidência de Joe Biden.

A desinformação sobre as eleições intercalares dos EUA tem vindo a aumentar nos últimos meses, desafiando as autoridades eleitorais e as empresas de tecnologia a combaterem as informações falsas que são distribuídas na internet, refere o especialista em desinformação da agência Associated Press (AP), David Klepper.

Joe Biden defendeu que a democracia está sob ameaça de Donald Trump e da violência que as mentiras do ex-Presidente inspiram, revelando que as teorias da conspiração e a desconfiança estão a moldar a política norte-americana, já não sendo possível “tomar a democracia como certa”, alertou o democrata.

“A desinformação será central para esta eleição intercalar e para as eleições de 2024”, disse Bhaskar Chakravorti, reitor associado de negócios e finanças internacionais da Fletcher School da Universidade Tufts, citado pela AP.

A desinformação política concentra-se, frequentemente, na imigração, crime, saúde pública, geopolítica, desastres, educação, ou tiroteios em massa, no entanto, este ano, trata-se, sobretudo, das votações.

Cada vez mais têm surgido alegações falsas sobre o sistema eleitoral do país, o que tem levado alguns republicanos a dizer que vão manter os boletins de voto por correspondência até ao dia da eleição, uma decisão que pode atrasar a contagem.

Outros prometem controlar as urnas para evitar uma fraude eleitoral, levando a preocupações sobre intimidação e à possibilidade de violência nos locais das eleições.

As empresas de tecnologia dizem ter implementado novas políticas e programas para desmascarar informações falsas.

“Vimos centenas de eleições a acontecer nas nossas plataformas nos últimos anos e temos aplicado o que aprendemos em cada uma para fortalecer os nossos preparativos”, refere a Meta, dona do Facebook e do Instagram, em comunicado, citado pela AP.

No entanto, os críticos dizem que o volume de alegações falsas que se espalham agora mostra que há mais a ser feito, como uma melhor aplicação das regras existentes, ou regulamentos governamentais que exijam políticas mais agressivas.

As grandes plataformas de redes sociais “não estão ainda a fazer o suficiente para impedir as ameaças à democracia”, revela Jon Lloyd, consultor sénior da ONG internacional Global Witness, mencionado pela AP.

As eleições envolvem os esforços combinados de dezenas de milhares de pessoas que trabalham sob pressão e é por isso que existe um sistema robusto de verificações para garantir que os erros são encontrados e corrigidos.

Para evitar cair numa informação falsa devem ser consultadas várias fontes, incluindo responsáveis eleitorais locais, e ser cético em relação às alegações de fontes de segunda mão, alertou Shaye-Ann McDonald, investigadora comportamental, que estuda formas de melhorar a resistência à desinformação, da Universidade de Duke, citado pela AP.

A desinformação noutros idiomas além do inglês é também uma preocupação particular citada por investigadores que dizem que as principais plataformas – a maioria delas com sede nos EUA – estão focadas na moderação do conteúdo em inglês.

Os sistemas automatizados para detetar informações falsas em inglês não funcionam tão bem quando são aplicados noutras línguas.

“Por mais que elas [empresas tecnológicas] moderem conteúdos em inglês, são ainda piores quando se trata de idiomas que não o inglês”, disse Jessica Gonzalez, co-CEO da Free Press, organização sem fins lucrativos que trabalha com questões de justiça racial e tecnologia, citado pela AP.

Embora a desinformação sobre as eleições se espalhe facilmente em grandes plataformas de redes sociais como o Facebook, também se enraizou numa longa lista de plataformas menos familiares: Gab, Gettr, Parler e Truth Social, a plataforma de Trump.

A compra do Twitter pelo dono da Tesla, Elon Musk, apenas algumas semanas antes das eleições de 2022, deitou por terra os planos da plataforma de combater a desinformação antes das eleições intercalares.

Musk despediu o executivo que supervisionava a moderação de conteúdo e apelidou-se de absolutista da liberdade de expressão, discordando da decisão de expulsar Trump da plataforma por incentivar a invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021.

“Estamos vigilantes contra tentativas de manipular conversas sobre as eleições intercalares dos EUA, de 2022”, escreveu na rede social Twitter, Yoel Roth, chefe de segurança e integridade do Twitter, mencionado pela AP.

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