EUA e China condenam ameaças russas de uso de armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos e o seu homólogo chinês reiteraram a sua concordância em que em nenhuma circunstância pode haver um ataque nuclear russo na Ucrânia. Os dois líderes estão na cimeira do G20, na Indonésia.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, encontrou-se esta segunda-feira com o presidente chinês, Xi Jinping, à margem da cúpula dos líderes do G20 em Bali, Indonésia, para uma reunião que demorou três horas sobre todas as questões pendentes entre as duas maiores economias do mundo.

No decurso da reunião, os dois líderes concordaram em que reiteraram o seu acordo de que uma guerra nuclear não pode em nenhuma circunstância ser travada, destacando a sua oposição ao uso ou ameaça de uso de armas nucleares na Ucrânia.

Naquele que foi o primeiro encontro cara-a-cara desde que Biden assumiu o cargo, Estados Unidos e China partilharam a responsabilidade de mostrar ao mundo que podem “gerir as nossas diferenças, evitar que a concorrência se torne um conflito”, disse Biden, citado pelas agências internacionais.

Esta decisão aponta para que os dois países terão debatido as relações comerciais comuns, num quadro em que a ameaça da inflação – que em ambos os casos tem dado mostras de estar a subir mas a um ritmo mais brande que em meses anteriores – pode colocar em causa a chegada rápida de um período de crescimento económico.

De qualquer modo, a questão ucraniana continua a ser um ponto de desentendimento entre alguns países que estão na Indonésia. O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak disse à sua chegada que usaria a oportunidade para “condenar inequivocamente” a guerra da Rússia na Ucrânia.

“Vou aproveitar esta oportunidade para condenar inequivocamente a guerra hostil e ilegal da Rússia na Ucrânia. E eu sei que outros aliados também o farão, porque devemos destacar o que está a acontecer e responsabilizarmos a Rússia”, disse.

Mas uma coisa é a decisão britânica e outra, que pode ser diferente, é a possibilidade de a cimeira do G20 condenar explicitamente a guerra da Rússia na Ucrânia. A esse respeito, e segundo as mesmas fontes, não há um consenso generalizado. Desde logo porque estão em Bali a China e a Índia, dois países que têm sido sistematicamente parcos no discurso anti-Rússia.

“O G20 é um fórum muito diferente do G7, por exemplo. O G7 é um grupo de democracias liberais com ideias semelhantes e valores semelhantes. O G20, temos de reconhecer, é um grupo diferente. Mas isso não significa que não devemos envolver-nos”, com essa prioridade, disse ainda Sunak.

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