EUA/Eleições. Futuro do Senado em aberto e Republicanos a nove lugares de maioria na Câmara

Com a contagem de votos para as eleições intercalares norte-americanas no segundo dia, os Republicanos estão a apenas nove lugares de alcançarem a maioria na Câmara de Representantes e o controlo do Senado está ainda em aberto.

Segundo projeções do jornal Politico, os Republicanos lideram a conquista de lugares no Senado com 49 assentos, face a 48 assegurados pelos Democratas, num total de 100 assentos em disputa.

No Arizona e Nevada tudo permanece em aberto, com centenas de milhares de votos ainda a serem contabilizados.

Contudo, a Geórgia será responsável por arrastar o processo eleitoral até dezembro, quando o estado irá novamente a votos para nomear um senador para o Congresso, depois de nenhum dos candidatos ter atingido a marca de 50%.

O senador em exercício, o reverendo democrata Raphael Warnock, enfrentará novamente a ex-estrela de futebol americano Herschel Walker, apoiado por Donald Trump, desta vez numa votação sem um terceiro candidato, o que pode ser decisivo para determinar a maioria na câmara alta do Congresso.

A história repete-se, uma vez que há dois anos, quando em simultâneo com as eleições presidenciais também se disputavam alguns lugares para o senado, recaiu igualmente sobre o estado da Geórgia o controlo da câmara alta do Congresso, que acabou por ficar nas mãos dos democratas, com um empate a 50 lugares e o desempate da vice-Presidente Kamala Harris.

O destino do Senado resume-se a estes três estados, já que os Republicanos precisariam de conquistar mais duas cadeiras Democratas para recuperar a maioria no Senado.

O controlo da Câmara dos Representantes também continua em disputa, embora os Republicanos estejam a caminho de conquistar a maioria – embora muito mais estreita do que anteviam.

Com 435 cadeiras em jogo e a contagem de votos ainda em andamento, as projeções do Politico colocam os Republicanos à frente, concedendo-lhes 209 assentos e 187 aos democratas, sendo 218 necessários para formar uma maioria.

Já as projeções do The New York Times, por exemplo, apontam 209 assentos para os Republicanos e 191 para os Democratas.

Os Democratas estão a ter um desempenho melhor do que o esperado nas eleições para o Congresso em todo o país, já que a ‘onda vermelha’ (cor dos Republicanos) que os conservadores e alguns analistas haviam antecipado ficou aquém do esperado.

Além disso, a maioria das corridas mais acirradas para a Câmara dos Representantes foi ganha por candidatos democratas.

Já nas corridas para os cargos de Governador Estadual, três disputas acirradas permanecem em aberto: Arizona, Nevada e Oregon.

No Arizona, decorre uma disputa apertada entre a Republicana Kari Lake, que se alinhou com o ex-presidente Donald Trump e com as suas falsas alegações de fraude eleitoral, e a candidata Democrata Katie Hobbs, atual secretária de Estado do Arizona que defendeu resultados de 2020 no seu estado, depois de Trump ser derrotado pelo atual Presidente, Joe Biden.

O Nevada conta com outra das disputas mais apertadas do país, com o atual governador Steve Sisolak, um Democrata, a ser desafiado pelo Republicano Joe Lombardo, o xerife da área de Las Vegas, que recebeu o apoio de Donald Trump.

Já no Oregon, Tina Kotek, ex-presidente da Câmara dos Representantes estadual, espera manter o governo de 36 anos dos democratas no estado e, se eleita, será uma das primeiras governadoras abertamente lésbicas do país. Kotek enfrenta Christine Drazan, uma Pepublicana, e Betsy Johnson, uma independente.

As eleições intercalares norte-americanas realizadas na terça-feira determinarão qual o partido que controlará o Congresso nos dois últimos anos do mandato do Presidente Joe Biden (Democrata), estando também em jogo 36 governos estaduais e vários referendos estaduais a medidas sobre questões-chave, incluindo aborto e drogas leves.

Em disputa estão todos os 435 lugares na Câmara dos Representantes, onde os Democratas atualmente têm uma estreita maioria de cinco assentos, e ainda 35 lugares no Senado, onde os Democratas têm uma maioria apenas graças ao voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris.

As eleições podem não apenas mudar a ‘cara’ do Congresso norte-americano, mas também levar ao poder governadores e autoridades locais totalmente comprometidos com as ideias do ex-Presidente Donald Trump (Republicano).

Uma derrota muito pesada nestas eleições pode complicar ainda mais o cenário de um segundo mandato presidencial para Joe Biden.

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