EUA: esperança dos democratas reacendeu-se mas pode não chegar

A derrota dos democratas pode não ser tão calamitosa quanto foi antecipada. No Senado, o partido de Joe Biden ainda está à frente. Do outro lado, a exuberância de Donald Trump não apareceu. Mas apareceu um potencial concorrente: Ron DeSantis.

9 – Estados Unidos

Com os resultados finais a demorarem a surgir, os democratas conseguiram encontrar uma ‘bolsa de ar’ no facto de a contagem para já conhecida não determinar uma derrota em toda a linha como indicavam algumas sondagens e a maioria dos analistas. Os indicadores conhecidos apontam para uma vitória clara dos republicanos na Câmara dos Representantes (a contagem vai em 202 para os republicanos e em 175 para os democratas), mas no Senado as coisas não são tão negras: neste momento, os democratas ainda estão na frente (48 contra 47 lugares).

Aliás, o facto de já terem sido eleitos 48 senadores democratas implica que, mesmo que o partido acabe por perder, a derrota não será significativa – no sentido em que a história demonstra que os entendimentos entre a Casa Branca e o partido contrário são sempre mais fáceis de conseguir no Senado que na Câmara dos Representantes. Uma derrota curta facilitará esse diálogo nos próximos dois anos.

No lado das eleições para os governadores dos Estados (39 em votação), as coisas também parecem não estar tão dramáticas para os democratas como estava previsto. Importante também é o facto de nos referendos associados às eleições os democratas terem conseguido vitórias de revelo – nomeadamente no que tem a ver com a questão do aborto. Mesmo em lugares claramente republicanos, a recusa do eleitorado em aceitar o fim da despenalização do aborto é um dado político que os analistas estão a relevar.

Por outro lado, e segundo a imprensa norte-americana, o comedimento das reações do ex-presidente Donald Trump apontam para que os republicanos já perceberam que a ‘onda vermelha’ que se anunciava ‘morreu na praia’. O ex-presidente teve um papel importante em influenciar os indicados republicanos nas disputas deste ano e esperava que uma grande vitória nas eleições preparasse o terreno para o anúncio da sua próxima campanha presidencial.

De qualquer modo, mesmo que a ‘onda vermelha’ não passe de uma ondulação rasteira, a vitória dos republicanos não parece, pelo menos para já, estar em dúvida. Ou seja, nada indica que Donald Trump – que já anunciou uma grande novidade para uma intervenção que tem marcada para 15 de novembro – venha a desistir de concorrer à Casa Branca em 2024. Mas, do outro lado, uma derrota menos calamitosa que a esperada vem fazer renascer as esperanças. E recolocar a questão de 2024 sob outra perspetiva.

Desde logo porque muitos presidentes perderam as intercalares e dois anos depois conseguiram ser reeleitos, sendo o caso mais recente o de Barack Obama. E depois porque se os democratas encontrarem um bom candidato para defrontar Trump poderão ainda ter uma hipótese. Mas este é outro problema: para já, não há nenhuma evidência de alguém que possa cumprir essa função de agregar o eleitorado democrata – que, por outro lado, está cada vez menos interessado em ver Joe Biden tentar um segundo mandato. De facto, segundo uma sondagem dada a conhecer esta quarta-feira, entre os democratas, mais de 40% não quer Biden a concorrer novamente em 2024.

O ímpeto republicano começou logo às primeiras horas depois do fecho das urnas, com vários responsáveis do partido a alegarem que tinha voltado a haver fraude nas eleições desta terça-feira. Mas os ânimos serenaram.

Entretanto, Trump pode vir a ter um novo problema com que não estava a contar. Segundo os jornais norte-americanos, a grande vitória do ultraconservador Ron DeSantis, reeleito governador da Flórida, atira-o diretamente para um lugar que o pode colocar em boa posição para concorrer às primárias do partido – em princípio contra o próprio ex-presidente. Ou seja, o apoio de Donald Trump ao lado mais extremista dos republicanos pode gerar o veneno da sua própria morte política.

Relacionadas

EUA. Democrata Fetterman vence lugar no senado na Pensilvânia

Fetterman, vice-governador da Pensilvânia, derrotou Mehmet Oz, o cirurgião que se tornou uma celebridade televisiva e que beneficiava do apoio do ex-Presidente Donald Trump, num estado considerado essencial para o resultado final das eleições intercalares de terça-feira.

EUA: Republicanos à frente mas por pouca margem (com áudio)

A onda vermelha não se deu, mas apesar de os resultados não serem tão maus como os esperados pelos democratas, a verdade é que a derrota ainda é o desfecho mais provável.

EUA. Trump antecipa uma “grande noite” para os republicanos

O ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trump previu que hoje será uma “grande noite” para os Republicanos, antecipando um bom resultado para o seu partido nas eleições intercalares.
Recomendadas

Desflorestação na Amazónia cai pela primeira vez no Governo de Bolsonaro

A Amazónia brasileira perdeu 11.568 km2 de cobertura vegetal entre agosto de 2021 e julho de 2022, menos 11,3% que a devastada no ano anterior. É a primeira redução do desmatamento desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Israel: Netanyahu garante que vai manter a controlo sobre a extrema-direita

Primeiro-ministro designado insiste que os radicais com que formará governo não vão tomar o poder nas suas mãos. “Israel não será governado pelo Talmud”. A incógnita é o que acontecerá com o seu julgamento por corrupção.

Parlamento alemão define como genocídio a “grande fome” na Ucrânia

O parlamento alemão aprovou uma resolução que define de genocídio o ‘Holodomor´’, a “grande fome” que atingiu a Ucrânia em 1932-1933 e que terá vitimado mais de três milhões de ucranianos.
Comentários