EUA. Fed mantém em aberto subidas consecutivas de 50 pontos base

A Reserva Federal mostra-se preparada para mais subidas na ordem dos 50 pontos base, como ocorreu em maio, e reconhece que uma política monetária restritiva poderá ser necessária para conter a inflação, que se mantém perto dos máximos de 1981 registados em março.

As atas da reunião de política monetária da Reserva Federal em maio apontam para uma autoridade monetária preparada para subir as taxas de juro diretoras a um ritmo mais elevado do que antecipava até agora o mercado, de forma a combater a inflação em níveis não vistos há mais de 40 anos.

O banco central norte-americano mostra-se preparado para subidas consecutivas de 50 pontos base (p.b.) nas próximas reuniões, pedindo que o organismo aja “expeditamente” no sentido de uma posição tendencialmente neutra da política monetária. Ainda assim, e dado o impacto do aumento generalizado de preços no crescimento, esta postura poderá mesmo de se tornar “restritiva”, como descreve o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC).

Esta possibilidade, continua o documento conhecido esta quarta-feira, estará dependente da evolução da economia nos próximos meses.

“A maior parte dos participantes [na reunião de política monetária] consideraram que aumentos de 50 p.b. na taxa diretora provavelmente serão adequados nas próximas reuniões”, revela a ata, com os membros do FOMC a destacarem a invasão da Ucrânia e os confinamentos relacionados com a Covid na China como “riscos acrescidos para os EUA e as restantes economias globais”.

O mercado prepara-se para mais uma subida na próxima reunião, que se realiza no início de junho, e a média das previsões em Wall Street aponta para uma taxa de 2,5% a 2,75% no final deste ano. Depois da decisão de maio, a taxa de referência nos EUA está entre 0,75% e 1%.

O Comité mantém-se “fortemente comprometido e determinado a tomar as medidas necessárias para recuperar a estabilidade de preços”, com a inflação a pesar claramente na ação da Fed, algo espelhado no discurso de Jerome Powell, o presidente do banco central, após a reunião de maio. As minutas confirmam ainda que o FOMC reviu em ligeira alta a sua expectativa para o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) em 2022 para 4,5%.

O documento mostra ainda apoio total do Comité ao ritmo anunciado de redução do balanço da Fed, que está em valores recorde de 9 biliões de dólares (8,43 biliões de euros).

Recorde-se que a reunião em questão, realizada a 3 e 4 de maio, resultou numa subida das taxas de juro diretoras na maior economia do mundo em 50 p.b., a maior subida em 22 anos numa altura em que a inflação se mantém próxima dos máximos registados desde 1981 registados em março, quando o indicador chegou aos 8,5%. Em abril, este valor desceu ligeiramente para 8,3%.

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