EUA: Juros vão continuar a subir, mas Powell sinaliza que ritmo pode abrandar em breve

“Ainda há um caminho a percorrer” no ciclo de normalização monetária, indicou o presidente da Fed, mas a próxima reunião pode trazer subidas menos expressivas do que os 75 pontos dos últimos quatro meses. Ainda assim, a taxa terminal deve ser mais alta do que esperado em setembro.

As subidas dos juros diretores nos EUA deverão continuar, mas o presidente da Reserva Federal sinalizou esta quarta-feira que o seu ritmo pode abrandar em breve, não excluindo que esse abrandamento arranque já na próxima reunião, em dezembro.

A Fed optou por subir as taxas diretoras em 75 pontos base (p.b.) novamente, sendo a quarta subida seguida desta magnitude, e Jerome Powell indicou que “ainda há caminho a percorrer”, mas que o ritmo pode abrandar em breve.

Powell admitiu que “pode estar a chegar a altura” de abrandar a subida de juros na maior economia americana, reconhecendo que tal pode acontecer “na próxima reunião ou na seguinte”, mas sem se comprometer com qualquer decisão futura. Ao invés, a posição da Fed manter-se-á dependente dos dados macro que forem saindo até dezembro, garantiu.

“Ainda temos um caminho a percorrer” até a missão da Fed estar cumprida neste ciclo de normalização monetária, disse o presidente do organismo. Como tal, “é prematuro estar a falar de uma pausa”.

O ritmo não deve, no entanto, ser a principal preocupação neste ciclo de maior rigidez monetária, continuou Powell, argumentando que “à medida que nos vamos aproximando [da taxa de juro neutra] e entramos e território restritivo”, o foco deve ser mais colocado na taxa terminal e como lá chegar.

“Precisamos de trazer a nossa política até um território suficientemente restritivo que nos permita trazer as perspetivas de inflação de médio-prazo nos 2%”, afirmou o presidente. Quanto ao pico nos juros, também conhecido como taxa terminal, houve o reconhecimento de que “há dados que apontam para que tenha de ser mais elevada do que inicialmente estimado”, em setembro.

Ainda assim, Powell defende que “é difícil que argumentar que apertámos demasiado” as condições financeiras, considerando este ciclo “um programa de sucesso”. Parte dessa evidência surge do mercado laboral, onde continua sem ver “sinais de abrandamento” nem efeitos de segunda ordem na inflação, algo que seria preocupante para o homem-forte da autoridade monetária norte-americana.

Relacionadas

EUA: Reserva Federal volta a subir juros em 75 pontos pela quarta vez consecutiva

Os juros diretores nos EUA voltaram a subir em 75 pontos pela quarta vez consecutiva, colocando a taxa de referência em 3,75% a 4% e deixando investidores e analistas à procura de pistas sobre a taxa terminal da normalização monetária na maior economia do mundo.
Recomendadas

PremiumBCE e Fed avaliam peso da subida de juros e ritmo pode abrandar nas próximas reuniões

As atas das mais recentes reuniões de política monetária na zona euro e EUA mostram uma preocupação de ambos os bancos centrais com o abrandamento da economia, dando esperanças de subidas menos expressivas dos juros nos próximos meses, embora os sinais neste sentido sejam mais fortes do outro lado do Atlântico.

Musk tinha um plano para o Twitter? Veja as escolhas da semana no “Mercados em Ação”

Conheça as escolhas da semana do programa da plataforma multimédia JE TV numa edição que contou com a análise de Nuno Sousa Pereira, head of investments da Sixty Degrees.

PSI encerra no ‘vermelho’ em contra ciclo com a Europa

Lá fora, as principais praças europeias negociaram maioritariamente em terreno positivo. O FTSE 100 valorizou 0,32%, o CAC 40 ganhou 0,08%, e o DAX apreciou 0,01%. O espanhol IBEX 35 manteve-se estável.
Comentários