EUA: Minutas da reunião de julho da Fed mostram reforço do compromisso com baixa da inflação

O fenómeno dos preços nos EUA começa a dar sinais de abrandamento, mas a Fed deve continuar a subir os juros até que a inflação volte ao alvo de 2%, considerando a taxa diretora atual “neutra”, segundo a ata da reunião de julho divulgada esta quarta-feira.

A Reserva Federal reforçou o seu compromisso com a descida da inflação na sua reunião de política monetária de julho, abrindo a porta a novas subidas das taxas de juro nos próximos meses. A ata do último encontro do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) da autoridade monetária norte-americana, divulgada esta quarta-feira, não ofereceu mais detalhes quanto à trajetória das taxas diretoras, mas continua a considerar a pressão nos preços “inaceitavelmente elevada”.

Na reunião de julho, em que a Fed optou por subir novamente os juros em 75 pontos base (p.b.), os decisores indicaram que se manterão atentos aos dados que forem surgindo quanto à variação de preços na maior economia do mundo, em linha com o manifestado pelo presidente do organismo, Jerome Powell, na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio.

Os membros do FMOC argumentaram que o intervalo de 2,25%-2,50% em que os juros diretores ficaram após a decisão de julho corresponderão provavelmente à taxa neutra de longo-prazo, ou seja, uma política monetária não restritiva nem expansiva.

O mercado projeta que setembro traga nova subida das taxas de referência, mas desta feita de 50 p.b.. Ainda assim, a incerteza é muita e as possibilidades de uma subida mais expressiva mantêm-se.

Dado o peso da inflação atual, que até recuou no mês da reunião para 8,5% depois dos 9,1% de junho, o Comité projeta que seja necessário adotar uma “política apropriadamente restritiva”, especialmente tendo em conta as expectativas de inflação. Na mesma linha, as atas revelam alguma preocupação com a perceção do público norte-americano quanto ao rumo da política da Fed, mencionando o risco de “a inflação se tornar entrincheirada” caso a comunicação não fosse clara.

Quando o fenómeno de preços começar a dar sinais de abrandamento, acrescenta a nota, a política monetária poderá aliviar um pouco.

Uma nota positiva volta a ser o mercado de trabalho, que mantém uma taxa de desemprego historicamente baixa, mas os indicadores relativos ao consumo e produção têm vindo a mostrar fraquezas.

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