EUA: Powell admite que política monetária “moderadamente restritiva” pode ser adequada até final do ano

O presidente da Reserva Federal aponta a uma política “moderadamente restritiva” até ao final do ano, reconhecendo que a inflação é demasiado elevada e que “a estabilidade de preços é o alicerce de qualquer economia”. Uma recessão, ainda assim, não está nos planos de Powell, que assinala a força histórica do mercado laboral.

Jerome Powell assume que a Reserva Federal (Fed) prevê uma política monetária “moderadamente restritiva” no final deste ano, sinalizando que a economia tem de arrefecer nos próximos trimestres. O presidente da Fed admitiu subidas mais elevadas nas próximas reuniões, embora sempre dependentes dos dados que forem saindo, pelo que o ritmo de subidas também pode abrandar caso a inflação dê sinais de recuo.

Na sequência da decisão de subir os juros em 75 pontos base (p.b.) pela segunda vez consecutiva, o presidente da Fed reforçou que este foi o valor visto como apropriado pelos membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FMOC), mas frisando que estarão “preparados para avançar com um ritmo mais agressivo”.

“O FMOC sente, no geral, que temos de levar a política monetária para uma posição moderadamente restritiva”, afirmou Jerome Powell, considerando que a Fed está a cumprir na sua promessa de “avançar expeditamente para uma taxa neutra”.

Assim, “outra subida invulgarmente alta pode ser apropriada”, reconheceu Powell, apesar de frisar que tal não está garantido, sendo uma decisão a ser tomada “dependendo dos dados, reunião a reunião”.

O foco da Fed, continuou, mantém-se na estabilidade de preços, “o alicerce de qualquer economia”, segundo o presidente do organismo. Perante a leitura pior do que esperado da inflação em junho, quando chegou aos 9,1% em termos homólogos, Powell reconhece que “determinados cenários serão provavelmente adequados para atingir” o duplo mandato de estabilidade de preços e emprego máximo.

Ainda assim, a economia não parece estar em recessão, acrescentou, embora “um abrandamento seja necessário”.

“Não me parece que estejamos numa recessão. Demasiadas áreas da economia estão com demasiada força [para se considerar uma recessão]. O crescimento está a abrandar, mas foi extraordinário no ano passado, e este é um mercado laboral muito forte e não consistente […] com uma recessão”, afirmou Powell.

A hipótese de uma ‘aterragem suave’, como descreveu o presidente da Fed no início da normalização monetária nos EUA, mantém-se “como o principal objetivo” do organismo, ainda que Powell reconheça que “o caminho [para baixar a inflação] se estreitou”. A manutenção das expectativas das famílias em torno dos 2% será, portanto, chave para evitar que o fenómeno se torne mais abrangente e entrincheirado na economia americana.

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A possibilidade de uma subida mais expressiva (neste caso, de 100 pontos) ainda chegou a ser levantada nas últimas semanas, mas foi perdendo força face ao pouco apoio demonstrado pelos membros mais agressivos do Comité responsável pelas decisões de política monetária americana.
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