EUA: Reforma fiscal de Trump pode aumentar dívida em 1,4 biliões

Apesar do otimismo, os analistas do ING considera que os efeitos vão ser apenas um impulso a curto prazo para as ações e para as ‘yields’ das Treasuries à medida que a dívida nacional aumenta.

A grande reforma fiscal nos Estados Unidos continua a ser discutida entre o Senado e a Câmara de Representantes do país, que discordam de timings, montantes dos cortes e outras questões relacionadas com o sistema de saúde. O passo que falta, e que é esperado que se concretize até ao Natal, é a fusão das duas versões para que a lei final possa ser aprovada, mas os analistas já começaram a fazer contas.

A estimativa do Comité Fiscal e do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA aponta que o corte nos impostos para as empresas para 20% dos atuais 35% provoque um aumento da dívida pública em 1,4 biliões de dólares nos próximos 10 anos.

“Donald Trump chamou-lhe a Lei dos Cortes Impostos e do Empresa com base no facto de que o corte nos imposto corporativos (e o incentivo para os negócios com lucros no estrangeiro regressem com os 2,6 biliões de dólares em rendimentos estimados pelo Tesouro dos EUA) venha a promover o investimento e criar empregos nos EUA”, explicam os analistas do ING.

Para as famílias, a maior diferença será a redução do número de escalões remuneratórios para quatro, dos atuais sete. O imposto mais baixo aumenta para 12% de 10%, mas a maioria dos agregados familiares deverá beneficiar das deduções.

“A redução dos impostos sobre rendimentos ajudaria, além disso, a estimular os gastos dos consumidores. Enquanto isso, os incentivos para investir e a economia mais forte poderia aumentar os salários médios nos Estados Unidos de forma muito conservadora em 4.000 dólares por ano”, afirmam.

Assim, a expetativa do Conselho de Assessores Económicos estima um crescimento do produto interno bruto (PIB) entre 3% e 5% por ano. O ING lembra, no entanto, que se mantém o “ceticismo” em Washington quanto a algumas das reivindicações “mais ousadas”. A estimativa do Comité Fiscal é que o imposto tenha um impacto no PIB anual de apenas 0,8%, enquanto o Centro de Política Tributária prevê um aumento de 0,7% do PIB em 2018 com contribuições mais fracas nos anos subsequentes: 0,4% em 2021 e 0,1% em 2026.

“Apesar de reconhecermos que haverá um impulso, é muito difícil desenhar um cenário e sentimo-nos mais confortáveis com o lado cauteloso”, referem os analistas. “Enquanto o plano é favorável para as perspetivas de crescimento, somos mais cautelosos do que os políticos em termos da vantagem provável que fornece.

“Em vez disso, vemos mais um impulso a curto prazo para as ações (através de recompra de ações, dividendos e tomada de mais-valias) e para as yields das Treasuries à medida que a dívida nacional aumenta rapidamente e os mercados vêem maior alcance para os aumentos da taxa de juros da Reserva Federal. Além disso, existem outras questões estruturais, como as políticas de imigração de Trump, que também podem compensar o crescimento, o que significa que ambições mais altas de atividade podem perder-se”.

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