EUA: Resultados eleitorais “de certa forma dececionantes”, diz Donald Trump

O ex-presidente norte-americano admitiu que os resultados do seu partido foram dececionantes por não terem produzido a “onda vermelha” que tinha antecipado. O país espera o próximo capítulo da ‘novela’, previsto para 15 de novembro.

O ex-presidente norte-americano Donald Trump admitiu esta quarta-feira que os resultados do seu partido foram “de certa forma dececionantes” por não terem produzido a “onda vermelha” no Congresso que algumas sondagens previam.

Numa mensagem na sua rede social, a Truth Social, o ex-presidente disse que “de certa forma, as eleições de ontem foram algo dececionantes”, embora tenha esclarecido de imediato que, segundo o seu ponto de vista “pessoal”, foram um triunfo.

Os republicanos anteciparam para estas intercalares uma grande “onda vermelha” que lhes devolveria o poder no Congresso, mas a sua vantagem na Câmara de Representantes, e um impasse no Senado, esvaziaram as expectativas e colocaram em causa tanto a sua força, quanto a de Trump.

Esse ‘tsunami’ vermelho’, previsto pelo senador do Texas Ted Cruz e algumas sondagens, tornou-se numa leve onda.

De acordo com as últimas projeções da imprensa, a futura maioria no Senado será decidida em três estados-chave: Arizona, Nevada e Geórgia, onde os resultados das eleições demorarão a serem conhecidos, e prolongarão a incerteza até dezembro.

De momento, segundo as projeções da rede CNN, os Democratas têm 48 das 100 cadeiras na câmara alta do país, contra 49 dos republicanos, permanecendo apenas por determinar os resultados do Arizona, Nevada e Geórgia.

Mesmo assim, ainda há meios de comunicação como The New York Times ou The Washington Post que dão empate no Senado, com 48 cadeiras para os Democratas e 48 para os Republicanos, porque ainda não terminaram as suas estimativas para o Alaska, onde a CNN projetou uma vitória Republicana.

Em relação à Câmara dos Representantes, com 435 cadeiras em jogo e a contagem de votos ainda em andamento, as projeções colocam os Republicanos à frente: a CNN concede-lhes 203 cadeiras e 187 aos democratas, enquanto o New York Times estima 204 cadeiras para os primeiros e 176 para os segundos.

As eleições intercalares que decorreram na terça-feira determinarão qual o partido que controlará o Congresso norte-americano nos dois últimos anos do mandato do Presidente Joe Biden, estando também em jogo, entre outros cargos, 36 governos estaduais.

Em disputa estão todos os 435 lugares na Câmara dos Representantes, onde os democratas atualmente têm uma estreita maioria de cinco assentos, e ainda 35 lugares no Senado, onde os democratas têm uma maioria apenas graças ao voto de desempate da vice-presidente, Kamala Harris.

Recorde-se que Donald Trump já assegurou que no próximo dia 15 de novembro fará uma intervenção durante a qual, dizem os analistas, pode indicar se vai ou não concorrer às primárias dos republicanos, com vista a ser candidatos às presidenciais de 2024.

Entretanto, o presidente Joe Biden defendeu que as eleições intercalares não trouxeram a “onda vermelha” prevista e garantiu estar “pronto” para trabalhar com oposição aos democratas. “Acho que foi um bom dia para a democracia e acho que foi um bom dia para os Estados Unidos”, disse Biden numa conferência de imprensa na Casa Branca.

Relacionadas

EUA: esperança dos democratas reacendeu-se mas pode não chegar

A derrota dos democratas pode não ser tão calamitosa quanto foi antecipada. No Senado, o partido de Joe Biden ainda está à frente. Do outro lado, a exuberância de Donald Trump não apareceu. Mas apareceu um potencial concorrente: Ron DeSantis.

EUA: Republicanos à frente mas por pouca margem (com áudio)

A onda vermelha não se deu, mas apesar de os resultados não serem tão maus como os esperados pelos democratas, a verdade é que a derrota ainda é o desfecho mais provável.
Recomendadas

Cimeira da NATO: o Ártico é a próxima fronteira

A entrada da Suécia e da Finlândia na NATO, um dos temas centrais da agenda da cimeira da Roménia, transforma o Ártico numa nova zona de conflito potencial. A Rússia lembrou esse perigo, que Jens Stoltenberg conhece bem.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta quarta-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta quarta-feira.

Morreu Jiang Zemin, ex-presidente e um dos construtores da China moderna

Foi um dos obreiros do crescimento económico da China e pretendeu construir um relacionamento estável com os Estados Unidos. Queria uma China a “entrar no mundo”.
Comentários