EUA retomam liderança no G-20

Após protagonismo dos países emergentes durante a crise, os EUA deverão retomar a liderança das discussões na próxima cimeira do G-20, enquanto economias como Brasil, Rússia e África do Sul perderam força, apontam analistas. “A tendência é voltar a uma liderança maior dos EUA, que retomou o seu crescimento, enquanto outros países desenvolvidos, como os […]

Após protagonismo dos países emergentes durante a crise, os EUA deverão retomar a liderança das discussões na próxima cimeira do G-20, enquanto economias como Brasil, Rússia e África do Sul perderam força, apontam analistas.

“A tendência é voltar a uma liderança maior dos EUA, que retomou o seu crescimento, enquanto outros países desenvolvidos, como os europeus, ainda continuam em situação económica difícil”, previu o professor de Relações Internacionais da PUC do Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Wrobel.

O analista realçou que a expetativa gerada em torno das economias emergentes, nos últimos anos, em especial do grupo do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tende a ser reduzida, já que desse grupo apenas China e Índia, em menor medida, mantêm um crescimento considerável.

“É uma questão de legitimidade. No passado, no auge da crise, os emergentes tinham muita capacidade de pautar e definir os debates, hoje em dia é mais complicado”, considerou, no mesmo sentido, o especialista em Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel.

Os líderes das 20 maiores economias do mundo debaterão este fim de semana sobre medidas que possam facilitar a retoma de crescimento da economia global, além de questões técnicas relativas a regras e normas dos Bancos Centrais que possam vir a ser aprimoradas para contar futuras crises.

Para ambos os analistas, no entanto, a própria reunião, que teve o seu auge de importância durante a crise, em 2008, tem diminuído a sua importância, e poderá não se efetivar, de facto, como uma substituição ao G7 (grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo).

“Vinte é um número tão grande que é muito difícil de chegar a um consenso”, referiu Stuenkel, destacando que não há um alinhamento definitivo sequer entre países emergentes e desenvolvidos, mas sim alianças que são formadas de acordo com cada tema.

O Brasil, em particular, apresenta-se num momento de baixo crescimento e dúvidas em relação ao rumo de sua política económica, após a reeleição da atual Presidente, Dilma Rousseff, em outubro.

 

OJE/Lusa

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