Euro atingiu a paridade com o dólar pela primeira vez desde 2002

A XTB diz que o dólar norte-americano (USD) “continua a pressionar o euro, levando o par a atingir a paridade pela primeira vez desde finais de 2002. As preocupações com a recessão na Europa resultantes de uma potencial paragem total do fornecimento de gás russo estão a pressionar o euro”. Juros do BCE sobem este mês.

O euro atingiu hoje a paridade com o dólar (1,000 dólares) numa altura em que crescem os receios de recessão na Europa devido ao corte de gás da Rússia. A paridade euro/dólar não acontecia desde 15 de julho de 2002. Mas nesta altura o euro já recuperou um bocadinho da queda face ao dólar e está em 1,0014 dólares.

A XTB diz que o dólar norte-americano (USD) “continua a pressionar o euro, levando o par a atingir a paridade pela primeira vez desde finais de 2002. As preocupações com a recessão na Europa resultantes de uma potencial paragem total do fornecimento de gás russo estão a pressionar o euro. Além disso, a lenta resposta do BCE à aceleração da inflação em comparação com a Fed está a aumentar a pressão. O par EURSD caiu finalmente abaixo da paridade, após algumas tentativas a resistir”.

A explicar a queda do euro, segundo a análise da BA&N Unit Research,  está a preocupação na Europa, devido aos receios de corte total dos fornecimentos de gás natural por parte da Rússia, que tornará inevitável uma recessão no continente europeu.

A desvalorização do euro evidencia este pessimismo nos ativos europeus, com a moeda única a atingir um mínimo de 20 anos, numa altura em que o dólar é visto como um dos escassos portos de abrigo para os investidores.

A queda do euro representa mais um fator de pressão para o BCE, que pretende iniciar o ciclo de subida de juros a 21 de julho com um aumento de apenas 25 pontos base, apesar da inflação estar num recorde acima de 8%.

A queda do euro pressiona o BCE a adotar uma política monetária mais agressiva numa altura em que crescem os receios com o corte de gás da Rússia, levando muitos economistas a agravar as probabilidades de recessão na região.

Se a situação no mercado cambial impulsiona a atividade das exportadoras, representa mais uma pressão para a inflação devido ao aumento dos preços dos produtos importados, refere a análise da BA&N.

As previsões dos analistas para os resultados das empresas europeias, segundo o research da BA&N está longe de refletir este cenário de contração na economia, pelo que os investidores temem surpresas negativas na “earning season” do segundo trimestre, que está prestes a começar.

Na quinta-feira arranca a época de resultados em Wall Street, com os números do JPMorgan e Morgan Stanley e no dia seguinte mais bancos apresentam contas.

O dólar está a negociar em máximos de 2002 contra as seis principais divisas mundiais, o que também está a degradar as expectativas de investidores e analistas para os resultados das empresas norte-americanas, que obtêm uma grande parte das suas receitas fora dos Estados Unidos.

 

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