Europa fecha em queda e PSI não é exceção. Juros soberanos em queda

As bolsas europeias fecharam em queda influenciadas pelos indicadores do Estados Unidos que sugerem maior agressividade na subida dos juros do outro lado do Atlântico.

Stringer/Reuters

O PSI caiu 0,22% para 5.852,78 pontos em linha com uma quase unanimidade das praças europeias.

“As bolsas europeias encerraram em baixa, castigadas pelo ambiente negativo que se vive em Wall Street. A justificar esta onda de pessimismo estão curiosamente bons dados económicos nos EUA, que agravam receios de que desta forma seja mais difícil à Fed fazer baixar a inflação, continuando assim a justificar uma atitude mais hawkish do Banco Central e a política de juros altos por mais tempo”, é a explicação que dá o analista do Millennium BCP Investment Banking, Ramiro Loureiro que destaca que o setor tecnológico foi o mais castigado.

Nove títulos do PSI fecharam em queda, com a liderança a caber aqui à Semapa (-1,72% para 13,74 euros) com isto a subsidiária Navigator caiu -0,67% para 3,88 euros. Seguiu-se a Jerónimo Martins que recuou -1,06% para 20,60 euros. Destaque ainda para a EDP Renováveis que perdeu -0,72% para 21,97 euros. Os CTT perderam -0,76% para 3,26 euros; e a Corticeira Amorim a recuar -0,67% para 8,84 euros.

Mas há ações que fecharam em alta no portfólio. A Mota-Engil valorizou +1,31% para 1,238 euros. A NOS avançou +0,78% para 3,86 euros.

A Sonae fechou a subir +0,58% para 0,9535 euros e finalmente o BCP fechou no verde (+0,34% para 0,1484 euros).

O EuroStoxx 50 recuou 0,44% para 3.939,2 pontos e o Stoxx 600 caiu 0,58%.

O FTSE 100 fechou a cair 0,61% para 7.521,4 pontos; o CAC recuou 0,14% para 6.687,8 pontos; o DAX desceu 0,72% para 14.343,2 pontos; o FTSE MIB deslizou -1,15% para 24.265,4 pontos e o IBEX fechou em terreno negativo (-0,46% para 8.331,9 pontos).

As empresas de energia continuam a liderar o topo das preferências de muitos analistas, com o HSBC a escolher a Repsol, a Shell, a TotalEnergies e a BP.

Apesar dos receios de recessão ser um agente de pressão para os mercados os investidores reagiram negativamente aos indicadores económicos dos EUA, dado que sugerem que a Fed terá de ir mais longe do que o esperado na subida das taxas de juro. O mercado está agora a descontar que a Fed vai subir os juros para mais de 5% em maio.

Em termos macroeconómicos a inflação homóloga dos produtos alimentares no conjunto da OCDE atingiu 16,1% em outubro, mais oito décimas de ponto percentual do que em setembro e o nível mais alto desde maio de 1974.

A atividade económica da zona euros caiu em novembro pelo quinto mês consecutivo apontando para uma recessão moderada na região.

O euro caiu 0,08% para 1,0483 dólares.

Destaque ainda para o facto de os EUA e UE estarem a pensar aplicar tarifas sobre metais chineses, como o aço e o alumínio, para pressionar os chineses a acelerar a agenda da defesa do ambiente.

No mercado do petróleo, o Brent tomba 3,07% para 80,14 dólares. Ao passo que do outro lado do Atlântico, o crude WTI recuou 2,91% para 74,7 dólares.

No mercado da dívida soberana, há um forte recuo na yields. A dívida alemã a 10 anos, desce 8,24 pontos base para 1,79%. Portugal tem os juros em queda de 7,11 pontos base para 2,71%. Espanha idem com os juros a caírem 7,53 pontos base para 2,79%. Itália desce 10,03 pontos base para 3,65% e a Grécia tem os juros soberanos a descerem 13,80 pontos base para 3,72%.

 

 

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