Ex-chanceler alemão processa parlamento depois de perder privilégios por ligação a Putin (com áudio)

De acordo com a lei alemã, os ex-chancelers têm direito a um cargo e a pessoal financiado pelo Estado mesmo depois de terminarem o seu mandato, mas os deputados votaram pela cessão dos seus privilégios quando Schroeder se recusou a cortar laços com Putin após a invasão da Ucrânia.

(FILES) This file photo taken on September 8, 2005 shows then German Chancellor Gerhard Schroeder (L) and Russian President Vladimir Putin at the Chancellory in Berlin. – Russian opposition leader Alexei Navalny on Wednesday, October 7, 2020 urged the European Union to impose tough targeted sanctions including entry bans against key figures in or backing Vladimir Putin’s government over his poisoning. In an interview with Bild daily, the Kremlin critic had harsh words for German ex-chancellor Gerhard Schroeder, who chairs the board of Russia’s state-controlled oil major Rosneft and heads the shareholders’ committee for the Nord Stream pipeline company. “Schroeder is Putin’s errand boy who is protecting murderers”, Navalny said. (Photo by GUIDO BERGMANN / POOL / AFP)

O ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder está a processar o parlamento do seu país para recuperar o seu escritório e funcionários financiados pelo Governo federal, depois desses privilégios terem sido suspensos por se ter recusado a cortar laços com o presidente russo, Vladimir Putin, após a invasão da Ucrânia, avança a “Bloomberg”.

O advogado de Schroeder, Michael Nagel,  alegou que a decisão dos deputados do Bundestag de suspender o direito ao seu cargo não tinha base legal. “Esse tipo de decisão, que lembra um principado absolutista, não pode prevalecer sob o Estado de Direito”, disse em comunicado. “A decisão é arbitrária.”

O social-democrata Schroeder liderou uma coligação governativa entre 1998 e 2005. Uma vez fora do cargo, os laços estreitos de Schroeder com Putin e a recusa em abrir mão de cargos lucrativos na empresa estatal russa Gazprom tornaram-se uma vergonha para o seu partido, o SPD, que partilha com o atual chanceler, Olaf Scholz.

De acordo com a lei alemã, os ex-chancelers têm direito a um cargo e a pessoal mesmo depois de terminarem o seu mandato. Esta semana, uma comissão do SPD rejeitou uma proposta para o expulsar do partido.

A imprensa do Bundestag disse à “Bloomberg” que ainda não recebeu o processo e, portanto, não pode comentar. Já o tribunal administrativo de Berlim confirmou que o processo foi arquivado.

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