Ex-primeiro-ministro paquistanês alvo de atentado

Num país minado pela instabilidade, a tentativa de assassínio pode alterar o curso dos acontecimentos políticos. Imran Khan estava a iniciar a sua ‘Longa Marcha’ até à capital, onde devia chegar a 11 de novembro.

O ex-primeiro-ministro do Paquistão Imran Khan foi ferido quando a sua coluna de manifestantes foi atacada no leste do país. Khan foi baleado e outros seis membros da comitiva também ficaram feridos. Um dos apoiantes de Khan morreu.

“Esta não é apenas uma tentativa de assassinato de Imran Khan, mas um ataque ao próprio Paquistão”, disse Fawad Chaudhry, porta-voz do Partido Paquistão Tehreek-e-Insaf (PTI), Imran de Khan, no Twitter.

O ex-primeiro-ministro foi levado para um hospital em Lahore após o ataque, perpetrado em Wazirabad, a cerca de 200 km da capital, Islamabad. A identidade do atirador, que foi preso pela polícia, não foi revelada e nenhum grupo reivindicou a responsabilidade do atentado.

O governo de Imran Khan foi derrubado em abril deste ano depois de não resistir a um voto desconfiança no parlamento. Desde então, Khan vem realizando comícios em todo o país, exigindo eleições antecipadas, a que chamou a ‘Longa Marcha’, que deveria chegar a Islamabad a 11 de novembro.

O primeiro-ministro Shehbaz Sharif emitiu um comunicado em que condenava o incidente e pedia às autoridades que iniciassem imediatamente uma investigação. “Condenamos veementemente a tentativa de assassinato hedionda do ex-primeiro-ministro do Paquistão”, disse o presidente do Paquistão, Arif Alvi, no Twitter.

Recorde-se que Imran Khan foi impedido, no mês passado, de concorrer a qualquer cargo político por um período de cinco anos pela Comissão Eleitoral (CEP), que decidiu que o político, um dos mais influentes do país, enganou as autoridades sobre ofertas que terá recebido de líderes estrangeiros enquanto estava no poder.

O diferendo político que começou quando Khan saiu do governo, em abril; o PTI rejeitou a decisão e pediu aos apoiantes que saíssem às ruas. Os jornais paquistaneses publicam há meses histórias alegando que Khan e a sua mulher receberam presentes luxuosos durante as suas viagens ao exterior e de não os declararem, nem aos lucros obtidos com a sua venda.

A queixa à CEP foi apresentada pela primeira vez quando Khan ainda estava no cargo de primeiro-ministro pelo Movimento Democrático do Paquistão, uma coligação que continua a assegurar o governo.

Em abril, Imran Khan foi destituído e desde então acusa Shehbaz Sharif de ter ascendido ao lugar por uma conspiração organizada pelos Estados Unidos. Mais tarde, Khan seria preso e acusado violar a lei antiterrorista, tendo sido liberado após o pagamento de uma fiança no final de agosto passado. Depois de deposto, Khan ordenou que todos os parlamentares do seu partido abandonassem os seus lugares, deixando o PTI sem representação na Assembleia Nacional.

O antigo desportista chegou ao poder em 2018 no quadro de uma plataforma populista que prometia reformas sociais, conservadorismo religioso e luta contra a corrupção, derrotando décadas de governos de duas dinastias políticas rivais intercaladas com executivos militares. Mas sob o seu mandato, a economia estagnou e Khan acabaria por perder o apoio do exército.

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