Excedente externo da economia diminui até outubro

Redução do excedente nos bens e serviços e menores transferências da UE levaram a uma queda de 841 milhões de euros nas balanças corrente e de capital do país, segundo o Banco de Portugal.

As balanças corrente e de capital apresentaram um saldo positivo de 2.346 milhões de euros nos primeiros 10 meses do ano, menos 841 milhões de euros do que no mesmo período de 2016. Segundo dados revelados hoje pelo Banco de Portugal, esta evolução foi determinada pelas balanças de bens, de rendimento primário e de capital.

Até outubro de 2017, o excedente do país na balança de bens e serviços registou um excedente de 3310 milhões de euros, menos 967 milhões de euros do que no período homólogo. As exportações cresceram 11,5 por cento (10,5 por cento nos bens e 13,3 por cento nos serviços) e as importações aumentaram 14 por cento (14,4 por cento nos bens e 12,2 por cento nos serviços), sublinhou o banco central.

Já o défice da balança de rendimento primário – um indicador que mede os rendimentos obtidos por quem participa diretamente na produção, como as remunerações dos trabalhadores, lucros, dividendos, juros e transferências da União Europeia, por exemplo – aumentou 397 milhões de euros, para 4.045 milhões de euros. “Esta evolução deveu-se, sobretudo, à redução das transferências da União Europeia”, explica o BdP.

O saldo da balança financeira registou um acréscimo dos ativos líquidos de Portugal sobre o exterior no valor de 2.990 milhões de euros . “Este aumento traduziu-se, essencialmente, no investimento em títulos de dívida por parte do setor financeiro e na redução do passivo das administrações públicas. Destaca-se, em outubro, a amortização de títulos de dívida pública e o reembolso antecipado de 1001 milhões de euros ao FMI, relativo ao empréstimo no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira”, conclui o Banco de Portugal.

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