Existem 835 mil profis­sionais em Portugal a trabalhar em regime de horários rotativos

Sindicalistas e investigadores falam num aproveitamento indevido do regime por parte das empresas, com riscos para a saúde e conciliação familiar, e dizem que esta modalidade de organização do tempo de trabalho está a ser utilizada em sectores onde não é necessária

O número de profissionais a trabalhar por turnos aumentou 31% em Portugal nos últimos oito anos, totalizando,, em setembro, 835 mil profis­sionais em Portugal (16,8% da população empregada) a trabalhar num regime de horários rotativos.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e divulgados pelo Expresso, neste sábado, havia 638.100 registados no mesmo trimestre de 2011. O aumento afetou sobretudo o grupo dos profissionais entre os 45 e os 64 anos, onde o trabalho por turnos cresceu 69% em oito anos.

Sindicalistas e investigadores falam num aproveitamento indevido do regime por parte das empresas, com riscos para a saúde e conciliação familiar, e dizem que esta modalidade de organização do tempo de trabalho está a ser utilizada em sectores onde não é necessária, com prejuízo da proteção social dos trabalhadores. Governo inclui o tema no Orçamento do Estado para 2020 (OE 2020).

Assim, o Governo parece agora abrir caminho às alterações neste regime de trabalho, as mesmas que chumbou durante a revisão da legislação laboral de julho passado.

Na altura, o PS votou contra as alterações de reforço da proteção dos trabalhadores propostas pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Partido Comunista (PCP) — que passavam por limitar horários, alargar os tempos de descanso dos trabalhadores, aumentar dias de férias, reduzir a idade da reforma para estes trabalhadores, garantir uma compensação salarial obrigatória e exames médicos adicionais —, mas no articulado do OE 2020 o Executivo inscreveu a intenção de apresentar em 2020 um “estudo sobre a extensão, características e impacto do trabalho por turnos em Portugal, tendo em vista o reforço social destes trabalhadores”.

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