Existem cerca de 1 milhão de edifícios para reabilitar no país

A regeneração urbana é atualmente o polo dinamizador do mercado imobiliário português, sobretudo em Lisboa e no Porto.

A reabilitação urbana é, neste momento, o polo dinamizador do mercado imobiliário. Desde que a crise se instalou em Portugal, a construção nova parou e o foco do setor voltou-se para a regeneração urbana. Entre investidores privados e autarquias, a reabilitação do edificado tem sido a principal atividade dos promotores imobiliários, sobretudo nas cidades de Lisboa e do Porto.

Só nos últimos 12 anos a Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense – contabilizou 1.500 milhões de euros de investimento privado, revelou recentemente Álvaro Santos, presidente da Porto Vivo, durante a Semana da Reabilitação Urbana do Porto.

Segundo o responsável, “cada euro de investimento público alavancou 23 euros de investimento privado”, razão pela qual “vale a pena apostar na reabilitação urbana”.

O presidente da Porto Vivo adiantou ainda que, nos três primeiros trimestres deste ano, o número de requerimentos entrados e de emissão de alvarás de obra registados pela sociedade “superou os do ano passado” e garantiu que, “a este ritmo de crescimento, vamos chegar ao final do ano com números ainda melhores”.

Para Álvaro Santos, o processo de reabilitação urbana na cidade do Porto tem sido “um sucesso”, até porque, como explica, “estão cerca de 150 a 200 obras a decorrer em simultâneo em pequenos prédios, no centro urbano e na baixa do Porto”.
Segundo o mais recente estudo “Reabilitação Urbana para Uso Residencial no Porto”, da Prime Yield, desenvolvido em parceria com a Predibisa e as sociedades de advogados SRS e ALC, os Aliados são a zona do Porto onde se localizam atualmente os produtos de habitação reabilitada mais caros da cidade. Já em termos de dinamismo da oferta, é o Centro Histórico que lidera, concentrando 48% dos apartamentos integrados em projetos de reabilitação urbana construídos ou em desenvolvimento na Invicta e mais que duplicando o volume contabilizado nos Aliados (21% da oferta).

“A reabilitação é, atualmente, sem qualquer dúvida, o principal motor para o mercado imobiliário no Porto, com a habitação a concentrar boa parte das intenções de investimento”, salienta José Velez, Diretor Executivo da Prime Yield.

Reabilitados 27 edifícios em Lisboa no 1.º semestre
Também na cidade de Lisboa a reabilitação de edifícios continua a aumentar. Só nos primeiros seis meses deste ano foram reabilitados 27 edifícios de habitação no centro histórico. Mas encontram-se atualmente mais de 130 edifícios sob reabilitação, dos quais 46 em comercialização, totalizando mais de mil fogos.

Segundo o estudo da consultora CBRE Lisbon Residential Brick Index, 44% dos imóveis recuperados situam-se na zona do Chiado, Bairro Alto e São Paulo, sendo o valor médio pedido pelos fogos em construção e comercialização de 5.550 euros/m2, aproximadamente o mesmo que foi observado no final de 2015. Neste momento, a promoção imobiliária na capital portuguesa continua assente na reabilitação de edifícios, com poucos projetos de construção nova.

Apesar da performance da reabilitação urbana, existem alguns alertas para o futuro da regeneração. Na opinião de José de Matos, da Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção, o atual mercado da construção e reabilitação em Portugal começa a dar sinais de cansaço e esgotar-se-á dentro de três ou quatro anos.

“Induzida pelo aumento do turismo e concentrada sobretudo nas zonas históricas de Lisboa e do Porto, a reabilitação urbana – aquela que tem sido nos últimos anos praticamente o único fator dinâmico da construção em Portugal – está já a mostrar-se insuficiente para continuar a aguentar economicamente o setor”, revela o responsável.

Lisboa e Porto com mais edifícios por reabilitar
Contudo, dados recentes do INE – Instituto Nacional de Estatística – revelam que existem cerca de um milhão de edifícios degradados em Portugal. Lisboa e Porto lideram a lista das cidades com o maior número de imóveis a necessitar de reparações. Além das duas grandes cidades portuguesas, Vila Nova de Gaia, Leiria e Coimbra fazem também parte da lista do INE.
Com números como estes ainda existe um longo caminho a percorrer em matéria de reabilitação urbana.

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