Exportações das PME podem chegar a 50% do PIB até 2024

Com algumas preocupações no horizonte, como o Brexit, as guerras comerciais ou o abrandamento na Alemanha, o Portugal Exportador volta a fazer passar por Lisboa o futuro das exportações nacionais.

Há 14 anos a pensar nas Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas que estão a dar os primeiros passos no processo de internacionalização e que querem explorar e diversificar novos mercados, o Portugal Exportador volta a reunir, num só espaço e num só dia, os principais players do universo global das exportações.

Nesta edição, a organizadora do evento, a Fundação AIP, pretende “reforçar o dispositivo de inteligência competitiva e de mercados”, desde sempre no cerne do evento, para assim reforçar a sua atratividade junto das PME, bem como das restantes partes interessadas neste ecossistema, nomeadamente câmaras de comércio bilaterais, embaixadas, consultoras, entre outras.

“É sabido que se adensam vários fatores de risco e de incerteza quanto aos principais mercados de exportação e a uma conjuntura económica internacional porventura menos favorável. O Brexit, as guerras comerciais, os sinais de abrandamento do crescimento na Alemanha, a par de muitos riscos geopolíticos envolvendo vários países e regiões, são apenas alguns aspetos que nos preocupam”, afirma o presidente da Fundação AIP, Jorge Rocha de Matos, ao JE. Neste cenário, defende que se impõe gerir com mais e melhor informação relacionada com o acesso aos mercados.

“É também nesse sentido que esta edição do Portugal Exportador (PE) tem estado a ser desenhada, em estreita articulação com as várias partes interessadas que são indispensáveis às empresas que estão a trilhar, ou pretendem vir a fazer o caminho da exportação e da internacionalização. E, tudo isto, num único dia e num espaço amplo minuciosamente organizado para facilitar essa experiência e a interação com as várias partes interessadas”, reforça.

Face à evolução das necessidades das exportadoras portuguesas, o evento tem vindo a ajustar-se com base num “trabalho focado na inteligência de mercados e na forma como alguns dos desafios associados à sustentabilidade e à transformação digital impactam na cadeia de valor das empresas e da economia”, assegura Rocha de Matos, acrescentando que o PE 2019 procura chamar a atenção das PME para a necessidade de internalizarem esses elementos na sua cadeia de valor por constituírem fatores de competitividade.

“Referimo-nos, sobretudo, aos desafios da transformação digital ou do ambiente que têm vindo a ganhar relevância económica e estratégica e que têm necessariamente que ser considerados na cadeia de valor. O trabalho que se faz no PE tem na sua base muitas parcerias, como é o caso da aicep, o Novo Banco, que há muito patrocina esta iniciativa, mas muitos outros, tanto a nível privado, público e associativo, e que estão profundamente envolvidos neste compromisso de inegável alcance estratégico, que é o de atingir uma trajetória de sustentabilidade da base exportadora nacional, para níveis de participação no PIB de cerca de 50%, dentro de três ou quatro anos”, conclui.

Corroborando o otimismo, o parceiro Novo Banco assume ter expectativas muito positivas, atendendo ao crescimento que o PE tem registado.

António Ramalho, presidente do Novo Banco, refere ao JE que “temos mais empresas expositoras, mais startups inovadoras que já nasceram a pensar no mercado global, mais embaixadas presentes, e mais compradores internacionais para interagir com as empresas portuguesas no evento”.

“O PE já vai na sua 14ª edição mas continua com uma enorme atualidade em termos dos seus objetivos. E este ano renovamos três objetivos essenciais: consolidação, crescimento e diversificação”, adianta. Sobre a meta da consolidação, Ramalho considera que Portugal tem que continuar as ver as exportações como um desígnio nacional, fundamentais para o equilíbrio da balança comercial e para a sustentabilidade da dívida. Uma meta que só será assegurada, acrescenta o responsável, através do aumento da base exportadora nacional.

“Finalmente, diversificar porque esta é a mais fácil e mais saudável forma de crescer. Dois terços das exportadoras (cerca de 33 mil) exportam apenas para um país e que os cinco principais países de destino representam cerca de 61% do nosso mercado”, conclui. Em seu entender, “se conseguirmos consolidar, crescer e diversificar estamos no bom caminho para continuarmos a aumentar o peso das exportações no PIB. Estamos a evoluir neste sentido sendo que as exportações já representam 44% do PIB, mas os outros países europeus da nossa dimensão têm valores superiores a 50% e a média europeia é de 46%”.

E foi precisamente a pensar nas metas do crescimento e da diversificação que o PE aponta o foco para três mercados, apostando em concreto em Espanha, Alemanha e Angola (que representam 34% das exportações); e para três setores estratégicos, o agroalimentar, metalomecânica e e-commerce. “Temas como a alimentação saudável (aposta em produtos com menos sal, gorduras ou açúcar) ou a economia circular, fazem parte da equação do futuro do comércio mundial e os especialistas convidados são atores importantes que darão pistas às PME para se posicionarem na vanguarda destas tendências”, diz.

Para a aicep Portugal Global, o PE tem uma relevância acrescida pela oportunidade única de juntar num dia várias empresas, em especial PME, e empresários portugueses que vêm de norte a sul para partilharem experiências e fomentarem negócios. “O contacto com interlocutores de diferentes mercados num só espaço é também uma vantagem”, afirma Luís Castro Henriques, presidente da aicep Portugal Global, ao JE.

Recordando que as exportações têm sido o motor da recuperação económica, sendo que nos últimos dez anos o peso no PIB aumentou de cerca de 30% para 43,7% (1.º semestre de 2019), sublinha que a aposta em mercados externos é uma realidade com tendência de crescimento. O sucesso das exportadoras passa por saber “em que mercados querem estar e estudá-los a fundo, adequando o seu produto, devem apetrechar-se de um bom músculo financeiro e recursos humanos qualificados, informar-se sobre eventuais constrangimentos sobre os consumidores e os players concorrentes e também taxas e outras normas regulamentares locais”.

Castro Henriques deixa ainda a sugestão que, previamente à sua internacionalização ou escolha de um novo mercado, as empresas procurem a AICEP, entidade que as pode apoiar porque tem uma equipa com know-how adquirido ao longo de muitos anos e disponibiliza mais de 50 delegações espalhadas pelo mundo, nas quais trabalham delegados que conhecem bem o terreno, o que pode ser uma mais-valia para as exportadoras.

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