“Exportações portuguesas vão passar os 100 mil milhões de euros em 2022” – AICEP

Este número representa mais de 45% do PIB português, indicou o presidente da agência para o comércio externo, Luís Castro Henriques, no decorrer da assinatura de um protocolo com a Business Roundtable Portugal.

O presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, estimou hoje que as exportações portuguesas em 2022 vão ultrapassar, pela primeira vez “e nas estimativas mais conservadoras”, os 100 mil milhões de euros, uma percentagem do PIB acima dos 44%.

O responsável, que falava no decorrer da assinatura de um protocolo entre a agência para as exportações e a associação empresarial Business Roundtable Portugal, disse estes números “conservadores” atesta a resiliência das empresas portuguesas, mas “aumenta o desafio” para os anos que se seguem.

“Está a correr bem, mas o desafio aumenta. Se já passamos dos 100 mil milhões , então vamos pensar nos 200 mil milhões de euros”, disse Luís Castro Henriques, que termina o mandato à frente da AICEP no final deste ano.

Questionado sobre o que representam estes 100 mil milhões no PIB português, o presidente da AICEP disse que “ficam acima dos 44% registados em 2019” – o último ano não afetado pela pandemia – mas que é “razoável assumir que vamos ficar acima dos 45% do PIB português em exportações”.

E explicou como chega a essa percentagem. Indicador um: “Só as exportações de bens ficam acima de 70 mil milhões de euros” este ano, quase duplicando face a 2010. Indicador dois: “E a estimativa do crescimento global das exportações é de pelo menos 15%. Há números que apontam para entre 15 e 30%. Mesmo utilizando os 15% de crescimento vai apontar para um valor acima dos 45% do PIB”, disse.

“Isto indica que, apesar da pandemia, da disrupção das cadeias de abastecimento e das circunstâncias atuais [a guerra na Ucrânia], as empresas portuguesas, que sofrerem um choque transversal, conseguem manter a sua competitividade. As exportadoras estão de parabéns”, disse Castro Henriques.

Isso deve-se a dois factores, salientou. “Primeiro: Quando nos esforçamos, conseguimos. Se dissesse há dez anos que íamos exportar 100 mil milhões de euros, diriam que era uma loucura. Mas é o caso. Depois há uma nova geração que mudou o paradigma da gestão em Portugal” no quer toca à internacionalização.

Sobre o (anunciado) fim da sua missão na AICEP, Luís Castro Henriques disse estar “absolutamente convencido que a missão foi concretizada”, devido ao aumento das exportações. “Agora é preciso aumentar a dimensão preço nas nossas exportações. Agora é preciso chegar ao consumidor final”, disse o responsável, acrescentando que essa já será tarefa para a direção que substituirá a atual a partir de 2023.

Os número da AICEP, ainda assim, são mais conservadores do que os do ministro da Economia, António Costa Silva, que na discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2023 adiantou que, no final deste ano, as exportações representariam 49% do PIB nacional.

“Vamos chegar ao fim do ano com exportações a representarem 49% do Produto Interno Bruto (PIB) português”, afirmou o ministro. António Costa Silva salientou que dos 49% do PIB, 20% correspondem ao turismo, o que “significa que a economia portuguesa não é só turismo”, justificando este ano a evidência “clara do comportamento extraordinário de indústrias metalomecânica e das tradicionais como o calçado”.

O ministro concluiu que Portugal irá “bater o recorde de exportações nestas indústrias em 2022”.

 

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