Exposição elevada do balanço dos bancos centrais ao risco de taxa de juro não põe em causa a sua atividade

A atual estrutura do balanço deixa os bancos centrais mais expostos a risco de taxa de juro e por isso vulneráveis a incorrer em perdas no momento em que as taxas de juro sobem. Mas não está em risco o cumprimento dos seus mandatos.

Os balanços dos bancos centrais aumentaram de forma significativa ao longo da última década. A sua composição também se alterou, incluindo hoje mais títulos de longo prazo com taxa fixa, financiados por reservas remuneradas a taxas variáveis e ligadas às decisões de política monetária. Esta estrutura do balanço deixa os bancos centrais expostos a risco de taxa de juro e por isso vulneráveis a incorrer em perdas no momento em que as taxas de juro sobem.

Mas o Banco de Portugal defende que a exposição elevada do balanço dos bancos centrais ao risco de taxa de juro não põe em causa o cumprimento do seu mandato.

“Tal não coloca necessariamente em risco a capacidade de os bancos centrais cumprirem o seu mandato”, refere o banco central nacional.

“O objetivo dos bancos centrais não é maximizar os lucros, mas antes garantir a estabilidade de preços e apoiar a prossecução de outros objetivos macroeconómicos. Em condições extremas, uma situação financeira frágil poderia interferir com a prossecução dos objetivos de política monetária, mas a literatura sugere que a probabilidade de tal ocorrer numa economia avançada é muito pequena”, refere a instituição liderada por Mário Centeno.

A faculdade atribuída aos bancos centrais de imprimir moeda de curso legal a um custo negligenciável dá acesso a um fluxo de receitas (senhoriagem) significativo e razoavelmente certo. “Ainda que seja difícil medir com precisão o valor atualizado destas receitas futuras, as estimativas disponíveis na literatura sugerem que tal será suficiente para cobrir uma eventual perda significativa em que um dos maiores bancos centrais possa incorrer”, constata o BdP.

Estas conclusões fazer parte de um artigo de José Miguel Cardoso da Costa intitulado “sobre a solvência e a credibilidade de um banco central”, publicado na Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal.

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