Facebook e Twitter removem contas de desinformação direcionadas a ucranianos

As redes que foram removidas pelo Facebook e Twitter impulsionavam narrativas que o próprio Putin mencionou no seu discurso quando anunciou uma operação militar na Ucrânia.

O Facebook e o Twitter removeram duas “operações de influência secreta” anti-ucranianas no final de semana, uma ligada à Rússia e outra com conexões com a Bielorrússia, diz a “NBC News”.

Uma das operações, uma campanha de propaganda com um site onde eram promovidos pontos de discussão anti-Ucrânia, foi um desdobramento de uma conhecida operação russa de desinformação. A outra campanha usou contas hackeadas para promover propaganda anti-Ucrânia semelhante e foi vinculada a um conhecido grupo de hackers bielorrussos.

As redes que foram removidas pelo Facebook e Twitter impulsionavam narrativas que o próprio Vladimir Putin mencionou no seu discurso quando anunciou uma operação militar na Ucrânia, que desde então se transformou numa invasão em larga escala.

Nathaniel Gleicher, chefe de política de segurança da Meta, contou que a campanha de propaganda foi capaz de “semear histórias na internet de que a Ucrânia não estava bem” com relatos de pessoas que se faziam passar por jornalistas.

“A boa notícia é que nenhuma dessas campanhas foi tão eficaz, mas vemos esses atores a tentar atingir a Ucrânia neste momento”, garantiu. Os sites apresentavam artigos que promoviam pontos de discussão russos como “Zelensky está a construir uma ditadura neonazista na Ucrânia” e “porque a Ucrânia só vai piorar”.

O Facebook revelou o encerramento de 40 perfis ligados à operação de desinformação, argumentando que os perfis estavam integrados numa operação maior de construção de personalidade que se espalhou pelo Twitter, Instagram, Telegram e redes sociais russas.

Por sua vez, o Twitter disse que baniu mais de uma dúzia de contas vinculadas à operação News Front e South Front Russian.

O anúncio da desinformação online também serve para demonstrar que a Rússia continua a utilizar estratégias de desinformação identificadas pela primeira vez por volta das eleições de 2016, embora com alguns avanços, principalmente o uso de software que pode criar rostos humanos realistas.

Relacionadas

UE prepara-se para garantir vistos a ucranianos durante três anos

A diretiva prevê o mesmo nível de proteção, entre um a três anos, em todos os estados da UE. Quem esteja sob a proteção temporária tem autorização de residência, acesso a emprego, assistência social e tratamento médico.

Banco Central da Rússia duplica taxas de juros para 20% perante o colapso do rublo

A decisão de excluir alguns bancos russos do sistema internacional de comunicações interbancárias Swift e o congelamento de transações com o Banco Central da Rússia (BCR) atingiu o coração financeiro de Moscovo. O BCR ordenou a abertura posterior das bolsas de valores e suspendeu a venda de valores mobiliários por conta de não residentes “para garantir a proteção dos direitos e interesses legítimos dos investidores nos mercados financeiros”.

Zelensky pede aos soldados russos que deponham as armas e saiam do país (com áudio)

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje aos soldados russos para que deponham as armas, numa mensagem divulgada antes das conversações com Moscovo, em que Kiev exige a retirada das forças russas.
Recomendadas

Ucrânia. Fundadora de ONG Nobel da Paz 2022 quer Putin em tribunal por crimes de guerra

A representante de uma das organizações que receberam este ano o Prémio Nobel da Paz defendeu hoje que o Presidente russo, Vladimir Putin, enfrente um tribunal internacional como criminoso de guerra pelo “genocídio” na Ucrânia.

Navalny classifica de “vergonhosa” pena de oito anos de cadeia a opositor russo

A condenação hoje do opositor russo Ilya Yashin a oito anos e meio de prisão por criticar a ofensiva militar contra a Ucrânia é “um veredicto vergonhoso”, denunciou o também opositor Alexei Navalny.

Marcelo lembra que há vários focos de guerra e critica UE por ter estado em “autocontemplação”

O Presidente da República considerou hoje que a União Europeia esteve em “autocontemplação” e “continua a não saber encontrar maneira de se relacionar com África”, relembrando que, além da Ucrânia, há outros focos no mundo que ameaçam a paz.
Comentários