‘Factoring’ bate recorde em 2021 e vale o mesmo que 16% do PIB

Os produtos de ‘leasing’, ‘factoring’ e ‘renting’ têm vindo a posicionar-se como motores de crescimento das empresas. Mas também da sustentabilidade, inovação, e transição para a economia verde.

Não faltam estudos no mercado a defender o importante papel que desempenha o financiamento especializado nas empresas e, por arrasto, no conjunto da economia.

A título de exemplo, um estudo recente da consultora Deloitte destacou a relevância do financiamento especializado como motor de crescimento económico, apontando o leasing, factoring e renting como impulsionadores da tesouraria das empresas, da economia verde e de novas formas de mobilidade.

Ao Jornal Económico os responsáveis da associação portuguesa de empresas de Leasing, Factoring e Renting (ALF) falam da importância destes serviços para o futuro da sociedade, pois são instrumentos financeiros que contribuem para a gestão da tesouraria das empresas portuguesas, para o futuro da mobilidade, para a sustentabilidade ambiental e inovação e desta forma são impulsionadores da transição das empresas para uma economia verde e circular.

Sobre a atividade de factoring, Pedro Cunha, vice-presidente da Direção da ALF e diretor de Factoring, explicou ao Jornal Económico que aquele “é uma ferramenta essencial para a gestão da tesouraria de muitas empresas em Portugal”. No ano passado “as Factors tomaram créditos no valor de 34,5 mil milhões de euros. Este valor equivale a mais de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) português e tem vindo a demonstrar uma tendência crescente”, diz Pedro Cunha que adianta também que o ano de 2021 demarcou-se como aquele que registou o maior valor de créditos tomados de sempre no nosso país.

O vice-presidente da ALF explicou ainda que este produto “tem também demonstrado uma forte resiliência durante os últimos anos, primeiro com o impacto da pandemia na atividade económica e depois com o início da guerra na Ucrânia, que veio disromper as cadeias de abastecimento em vários sectores de atividade”. Ora, “todas estas incertezas e turbulências fazem com que cada mais empresas recorram ao factoring para fazer as suas cobranças de créditos, tanto a nível nacional como a nível internacional, no caso das importações e exportações”, salienta o responsável da ALF.

Por outro lado, diz Pedro Cunha, “o elevado nível de digitalização dos processos do factoring faz com que se torne cada vez mais fácil para as empresas aderirem a estes serviços, tornando todos os processos mais céleres e, também, mais amigos do ambiente, nomeadamente com a recente introdução da faturação eletrónica”.

O porta-voz do sector diz mesmo que “neste momento, 2022 apresenta-se como um ano muito positivo para o factoring. Nos próximos anos, apesar de se expectar um abrandamento da economia, o crescimento do produto manter-se-á”, defende.

Ainda sobre o factoring, a consultora Grand View Research tem um estudo publicado sobre o mercado global que foi avaliado em 3.393,90 mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) em 2021 e que, segundo esta análise, deve expandir-se uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 8,8% de 2022 a 2030.
É esperado que o aumento das oportunidades e a necessidade de fontes alternativas de financiamento para Pequenas e Médias Empresas (PME) – para atender às metas de curto prazo ou a fluxos de caixa – impulsione o crescimento do factoring, defende a consultora.

“Além disso, os serviços de factoring estão a utilizar nova tecnologia para oferecer melhores serviços e espera-se que apresentem um crescimento considerável ao longo do período previsto [até 2030]”, refere a consultora Grand View Research no seu estudo.

Se pensarmos que as empresas têm muitas vezes de esperar que os clientes paguem, o que afeta o seu fluxo de caixa, percebemos que o factoring é um instrumento imprescindível para a tesouraria das empresas, pois as Factors compram as faturas adiantado o dinheiro das contas a receber, o que torna os serviços de factoring importantes para o fluxo de caixa das empresas.
“Os produtos de leasing, factoring e renting têm assim vindo a posicionar-se como motores inequívocos de crescimento económico em Portugal e na Europa, de acordo com a análise ao sector.

Leasing, factoring e renting o que os distingue?
O leasing é uma modalidade de aluguer de longa duração através da qual o locador (empresa de leasing), concede ao cliente um bem móvel ou imóvel (por exemplo um carro) mediante o pagamento de uma renda por um determinado prazo, ficando o cliente com uma opção de compra no final desse período, mediante o pagamento de um valor residual.

O renting é uma outra modalidade de aluguer de longa duração em que o cliente paga mensalmente não só pelo uso do bem, como pelos serviços de manutenção e outros possíveis extras, ou seja, todas as questões relacionadas com a gestão do bem são delegadas na empresa locadora, sem que o cliente tenha outros encargos. É normalmente usado na compra de carro. No final do contrato, o cliente tem também a possibilidade de adquirir o bem, mediante o pagamento do valor residual.

Já o factoring consiste na cedência de créditos comerciais de curto prazo por parte de uma empresa (aderente) a uma instituição financeira (fator) referente às vendas a crédito de bens e/ou serviços efetuadas aos seus clientes (devedores), sendo que este fator presta um serviço integrado de gestão e cobranças dos créditos, pode assegurar a cobertura do risco de crédito (insolvência ou atraso de pagamento) e efetua o financiamento (por adiantamento) dos créditos cedidos.

Voltando ao estudo da Deloitte sobre o financiamento especializado, a consultora referia que os sectores de leasing, factoring e renting assumem “um papel fundamental para o futuro da sociedade, nomeadamente para o futuro da mobilidade, para a sustentabilidade ambiental e inovação e como impulsionador para a transição para uma economia verde e circular”. Ora, outro ramo do financiamento especializado é o renting, que é muito utilizado por grandes empresas, PMEs, entidades públicas, e de forma crescente por particulares, “pois permite externalizar todos os custos com a gestão de frotas automóveis, que são uma ferramenta de trabalho essencial em diversos sectores de atividade, numa única fatura mensal”. Quem o diz é Pedro Pessoa, vice-presidente da direção da ALF e diretor de Renting.

O vice-presidente da ALF com esta área diz que “o renting é um dos principais meios de acesso a viaturas elétricas e responsável pela renovação das frotas automóveis em Portugal, contribuindo para a redução da idade média do parque automóvel nacional bem como para o cumprimento das metas ambientais nacionais”. Lembrando que o conceito de mobilidade tem sofrido ao longo dos últimos anos alterações, Pedro Pessoa diz que se regista atualmente uma maior utilização de veículos de crescente autonomia e soluções de mobilidade partilhada.

“Em Portugal, a procura por soluções de mobilidade partilhada tem vindo a aumentar, podendo o renting desempenhar um contributo de relevo na disseminação destas soluções”, refere o responsável.

Esta modalidade de aluguer de longa duração “permite ainda às empresas ter uma grande previsibilidade sobre os custos, pois transforma custos variáveis em custos fixos, para além do ónus de desvalorização das viaturas no final do contrato ficar junto da empresa de renting, e não do cliente”, diz.

“Em 2021, o renting foi responsável pela aquisição de 24,5 mil viaturas ligeiras novas no valor de 572 milhões de euros, e geria uma frota de 120 mil viaturas, com um valor contabilístico de 1,94 mil milhões” destaca Pedro Pessoa.

O responsável alerta, no entanto, que “no que diz respeito às viaturas ligeiras, neste momento, ainda existem muitos constrangimentos nas cadeias de abastecimento e o período de entrega de viaturas novas ainda se encontra muito dilatado”. Mas, e “como já se tem vindo a verificar durante os últimos anos, com a pandemia e com o início de uma guerra, as empresas de renting vão continuar a ajudar os seus clientes na gestão destas condicionantes e procurarão colmatar com a flexibilidade deste produto as necessidades dos clientes”, garante Pedro Pessoa.

Por fim, surge o leasing como instrumento de financiamento das empresas e Júlio Jacob, diretor do Leasing da ALF, explica ao JE que o leasing “é um produto financeiro que, pelas suas características únicas, permite financiar todos os tipos de ativos mobiliários e imobiliários”.

Em 2021, o leasing foi responsável por financiar investimentos no valor de 2,5 mil milhões de euros, dos quais 1,7 mil milhões em leasing mobiliário (viaturas e equipamentos) e 804 milhões em leasing imobiliário, destaca o responsável da ALF.

“Acreditamos que apesar dos anos complicados que se avizinham, com taxas de juro substancialmente mais altas, o leasing vai continuar a ser uma opção muito favorável para as empresas que pretendem investir em novos ativos”, salienta Júlio Jacob.

“Não descartando o aumento considerável que já se faz sentir nas taxas de juro, o leasing apresenta geralmente taxas de juro mais baixas do que o crédito generalista, fruto da manutenção da propriedade jurídica do ativo durante a duração do contrato”, acrescenta o mesmo responsável.

“Consideramos também que o leasing vai ter um papel crucial na contribuição para a sustentabilidade ambiental e inovação, e será certamente um impulsionador para a transição para uma economia verde e circular, podendo financiar todos os tipos de ativos mais verdes e eficientes que existam no mercado”, admite Júlio Jacob, que defende que “a flexibilidade do leasing vai permitir às empresas e particulares investirem nestes ativos, em condições mais vantajosas do que em qualquer outro tipo de financiamento”. O responsável da ALF diz ainda que “o crescimento do leasing vai depender muito da evolução das cadeias de abastecimento e de produção das viaturas e das medidas, que devem ser tomadas pelos organismos públicos, para incentivar ao investimento nacional em outros ativos, como equipamentos e imóveis, mais sustentáveis”.

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