Fadista contra machismo e marialvismo: “Até quando tanto ódio, tanta maldade, tanto preconceito e julgamento?”

Criticada pelo colega Nuno da Câmara Pereira, que fez repost de uma fotografia da cantora com a legenda “o fado não é isto”, Cuca Roseta defende o seu direito, e o de todas as mulheres, de vestirem o que lhes apetece e chama a atenção para os julgamentos nas redes sociais. “Precisamos de cuidar mais de nós próprios, do nosso espírito, da nossa verdade e deixarmos o outro em paz”, diz.

Em trabalho nos Açores, onde tem estado numa tournée pelas nove ilhas, Cuca Roseta publicou imagens suas num restaurante em Ponta Delgada. “Este restaurante é nosso, é português, é do Carlos, é Açoreano e tem o melhor bacalhau do mundo. É uma casa de fados e ontem foi muito emocionante. Chama-se Casa do Bacalhau e só serve bacalhau. Mas divinal mon dieu”, escreveu Cuca Roseta no texto que acompanhava as suas fotos.

Não tardaram a surgir muitos elogios, mas também alguns comentários menos simpáticos sobre a roupa da cantora.

Um dos críticos foi Nuno da Câmara Pereira. O também fadista partilhou na sua conta de Facebook  uma das imagens de Cuca e não poupou nas críticas: “Não tenho hipótese… desisto de tentar… Tentar não isso… não! Desisto de mostrar o que não é fado e que cada vogal tem o seu valor próprio consoante a posição em que se coloca ela mesmo na palavra… perdida ou não!”.

A fadista reagiu à polémica, com um texto sobre liberdade. Partilhando uma fotografia sua em calções, Cuca Roseta escreveu: “Olá eu sou a Cuca Roseta e estas são as minhas nádegas, traseiro, glúteo, rabo ou o que lhe quiserem chamar. Também tenho (como qualquer ser humano normal) olhos, boca, braços, mãos, cabelos, etc..”

A fadista acrescentou: “Escrevo este post porque há três dias partilhei uma fotografia na minha felicidade e inocência, com a roupa com que estava vestida, naquele mesmo dia em que fui com os meus músicos jantar em Ponta Delgada, num restaurante fantástico que se chama “a Casa do bacalhau”. De repente fui inundada de mensagens a comentar o meu rabo, as minhas calças e o que devia vestir ou não devia vestir e fazer ou não fazer.”

Cuca Roseta fala sobre liberdade: “Todas as pessoas que me seguem sabem que eu estou de bem com a vida e com o meu corpo e que por acaso não é propriamente sobre o que é efémero que me costumo debruçar, seja nos temas ou ideais partilhados nas minhas redes sociais, seja na minha vida profissional, familiar e espiritual. Vamos lá ver meus senhores, vivemos de uma forma livre, em que seja qual for a cultura onde nascemos cada um tem o direito de vestir o que quiser e bem lhe entender, desde os indígenas aos que utilizam burca e não ser julgado ou criticado pela diferença.”

A fadista chama ainda a atenção para os julgamentos nas redes sociais. “Até quando tanto ódio, tanta maldade, tanto preconceito e julgamento? Não chegou já a altura de olharmos para dentro? Não tivemos já tantas chamadas de atenção! Tantos desafios suficientes que nos obrigaram a olhar para as nossas casas, as nossas famílias, para a certeza de que nada é permanente? Está na cara que precisamos de cuidar mais de nós próprios, do nosso espírito, da nossa verdade e deixarmos o outro em paz. Não chega já de ferir os outros, só porque somos nós que temos o coração ferido? De culpar o outro, de ‘chingar’ o outro? Bolas… Não é isso que vai sarar as nossas feridas!”

E acrescentou: “Hoje o meu rabo e a minha voz, assim como o meu espírito e a minha alma vão estar no palco da Mealhada, a cumprir com a única missão a que nos somos propostos a cada dia desde de que nascemos e nos é dado um dom: Fazer os outros felizes e levar-lhes todo o amor e luz através dos instrumentos que nos são dados para tal.”

Cuca Roseta encerrou a sua dissertação com o apelo: “Chega de guerras! O mundo precisa de Respeito e de Amor”.

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