Falta à Guiné-Bissau dar conta do que representou Amílcar Cabral, diz líder do PAIGC

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que falta à Guiné-Bissau dar conta daquilo que representou Amílcar Cabral, assassinado há 50 anos em Conacri. “Eu penso que hoje África e a humanidade dão conta da perda que representou o desaparecimento prematuro de Amílcar […]

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que falta à Guiné-Bissau dar conta daquilo que representou Amílcar Cabral, assassinado há 50 anos em Conacri.

“Eu penso que hoje África e a humanidade dão conta da perda que representou o desaparecimento prematuro de Amílcar Cabral, acho que falta à Guiné dar conta daquilo que de facto representou e todos juntos sermos capazes de resgatar a sua memória, projetar aquilo que sonhou para a nossa sociedade e fazermos jus à sua convicção de que seríamos capazes de o acompanhar”, disse Domingos Simões Pereira.

O líder do PAIGC falava aos jornalistas após ter depositado uma coroa de flores no mausoléu de Amílcar Cabral, situado na Fortaleza da Amura, em Bissau, e local onde funciona o Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Questionado pela Lusa sobre a ausência de eventos organizados pelo Governo para assinalar os 50 anos do assassínio de Amílcar Cabral, em 20 de janeiro de 1973, em Conacri, Domingos Simões Pereira disse que nem vale a pena dedicar tempo a isso.

“Eu penso que os verdadeiros guineenses, aqueles que sentem e vivem esse orgulho da libertação, esse sonho de desenvolver uma pátria livre e soberano saberão encontrar mecanismos para a acompanhar essa memória de Amílcar Cabral”, afirmou.

O PAIGC assinala o aniversário da morte de Amílcar Cabral com várias palestras e vigílias, uma das quais na Embaixada da Guiné-Bissau em Conacri, onde funcionava o secretariado-geral do partido e onde o líder da luta da independência foi assassinado.

Os cinquenta anos da morte de Amílcar Cabral também estão a ser lembrados um pouco por todo o mundo com simpósios em universidades, exposições, entre outros.

“Penso que são sinais suficientes de que há mulheres e homens guineenses que têm orgulho de pertencer à mesma pátria que Amílcar Cabral sonhou e libertou”, salientou.

Questionado sobre se o partido sempre vai realizar uma vigília junto à estátua de Amílcar Cabral no aeroporto em Bissau, depois de informações de que teria passado para a sede do PAIGC, Domingos Simões Pereira disse que “tudo são simbologias”.

“As simbologias podem ser postas em causa, mas aquilo que representam nunca será apagado. Quem insiste em querer apagar a história, vai ficar fora da história”, salientou.

Sobre a vigília em Conacri, o líder do PAIGC disse que é uma “forma de dizer obrigado” ao povo que acolheu o partido e que “criou condições para que a luta fosse desenvolvida a partir do seu território”.

“Mas é também uma forma de dizer que não nos esquecemos do passado, reassumimos a responsabilidade de relançar as ideias de Amílcar Cabral e sempre lembrar aquilo que ele disse: A liberdade é uma condição da própria existência do homem”, disse.

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