Faltam prioridades, calendário e comboios ao Plano Nacional Ferroviário, critica PCP

O PCP considerou hoje que faltam ao Plano Ferroviário Nacional as “medidas necessárias” para sair do papel, apontando a ausência de “prioridades, de calendário, garantias” ou quantificação do financiamento necessário.

“O Plano Ferroviário Nacional, sendo uma reflexão sobre o desenvolvimento da infraestrutura ferroviária e dos serviços que a devem utilizar, não incorpora as medidas necessárias para que ele possa algum dia sair do papel. É um plano sem prioridades, calendário, nem garantias e quantificação do financiamento necessário à execução do mesmo”, criticou o PCP, em comunicado.

O PCP considerou que este plano, que está em consulta pública, apresenta-se “ao país com as mesmas opções, insuficiências e erros que têm conduzido a gritantes atrasos, e até retrocessos, no transporte ferroviário nacional”.

Para o PCP, ao Plano Ferroviário Nacional “faltam-lhe comboios, sobre os quais nada planifica, e sem os quais nada funciona”; “faltam-lhe ferroviários: pois rigorosamente nada é dito sobre os trabalhadores, sobre a necessidade da sua formação e valorização”; “falta-lhe uma visão que integre e articule o transporte ferroviário com a restante rede de transportes e infraestruturas estratégicas como o Novo Aeroporto de Lisboa”.

“É mais fácil fazer planos que construir linhas férreas, é mais barato fazer promessas que comprar comboios, é mais simples substituir planos não concretizados por novos planos, do que fazer o balanço sério à concretização do planeado”, criticou.

Os comunistas defendem que “o ano de 2023 não pode representar mais adiamentos e anúncios como os que têm sido feitos ao longo dos anos”, salientando que “o investimento na ferrovia ao longo desta primeira metade do século XXI pode ser, se integrado numa estratégia de desenvolvimento do país, um elemento determinante para a sua modernização e progresso”.

O partido aponta que, “por razões económicas, sociais, ambientais e de equilíbrio e coesão territorial, o país precisa de uma rutura na política de transportes” e “precisa de resistir e combater as imposições da União Europeia”.

Assim, os comunistas propõem uma política com cinco eixos: “reconstruir o setor ferroviário nacional”; “concretizar um plano nacional para o material circulante”; “valorizar os ferroviários”, admitindo “mais 4000 trabalhadores neste setor”; “reforçar a intermodalidade na bilhética e na organização da rede” e “concretizar um conjunto de investimentos na rede e nos serviços que estão no essencial consensualizados”, como a nova linha para alta velocidade entre Lisboa e Porto ou a terceira travessia sobre o Tejo entre Chelas e o Barreiro.

“Tudo isto envolve um investimento, ao longo deste período, que se estima em cerca de 30 mil milhões de euros em material circulante, infraestruturas e pessoal, do qual dois terços corresponde a infraestruturas – e que deve assumir um peso crescente em percentagem do PIB, de modo a que, em 10 anos atinja 0,5%/ano”, apontam os comunistas.

O PCP considera que “o país deve mobilizar os recursos necessários – por via do Orçamento do Estado, fundos comunitários e outras possibilidades – de modo a garantir a plena concretização e aproveitamento do investimento na ferrovia”.

O partido indica ainda que nas próximas semanas “dará continuidade à sua intervenção em torno da ferrovia envolvendo populações, ferroviários, técnicos e especialistas”.

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