Famílias preveem que despesas com o regresso às aulas aumentem mais de 50%

Cerca de metade dos agregados familiares dizem ter total capacidade financeira para financiar a educação dos seus educandos neste ano letivo, algo que poderá ser explicado pelo facto de 61% dos encarregados de educação alegarem ter feito poupanças para esse propósito.

Doutor Finanças

Com o aumento da inflação e consequente escalada de preços dos bens consumíveis, as famílias do país com estudantes a seu cargo preveem que as despesas relacionadas com o regresso às aulas podem aumentar para um valor médio de 525 euros, correspondendo a um aumento de mais de 50% face ao ano passado.

De acordo com o ‘Observador Cetelem Regresso às Aulas 2022’, a maior porção das famílias, cerca de 27%, estima que irá gastar entre 251 euros e 500 euros. Ademais, 22% dos agregados contam gastar entre os 501 euros e os 750 euros, e 18% esperam não passar os 250 euros, e 15% preveem gastar mais de 751 euros. Já 17% disseram não saber ou preferiram não responder.

Cerca de 68% das famílias questionadas têm um estudante a seu cargo, pelo que esperam gastar em média 475 euros. Este valor sobre para 617% nas famílias com dois educandos, que correspondem a cerca de 28% do total. Já as que têm três ou mais (4%) estimam que gastarão 710 euros.

O estudo revelou que existem variações nos gastos mediante o nível de ensino escolar dos jovens. No ensino pré-escolar, os gastos médios são cerca de 325 euros, e no 1º Ciclo sobem para 490 euros. Já no 2º ciclo, as despesas rondam os 503 euros, no 3º ciclo ascendem a 583 euros e no secundário o valor atinge os 623 euros. Como seria de esperar, é no ensino superior onde se gasta mais, já que as despesas disparam para os 875 euros, em média.

Discriminando os resultados por áreas metropolitanas, o inquérito indica que os gastos das famílias no Grande Porto (cerca de 690 euros), tenderão a ser, em média, mais elevados, do que os das famílias da Grande Lisboa (547 euros).

Quanto às regiões, as famílias do Sul do país tendem a ser as que mais gastam mais nas despesas escolares, cerca de 532 euros, seguidas dos agregados do Norte, zona em que este valor atinge uma média de 510 euros. É a região Centro onde se regista o valor mais baixo, de cerca de 392 euros.

Relativamente ao material escolar que tencionam adquirir, 82% dos inquiridos estimam gastar em média cerca de 110 euros em material essencial (mochila, canetas, lápis, etc), 70% calculam gastar em média 176 euros em artigos de vestuário/calçado, e 59% preveem um gasto de 142 euros para equipamento para educação física.

 

Poupança está na ordem do dia

No que diz respeito a estratégias de poupança, em média, 57% das famílias tencionam conter-se nas compras para este ano letivo, para mitigar o impacto da inflação. Mais ainda, o inquérito revela que 95% dos agregados vão tomar medidas para tornar as compras do regresso às aulas menos dispendiosas.

Entre as medidas tomadas, estas passam por comprar apenas o estritamente necessário (59%), optar pelas promoções (40%), reutilizar material escolar (33%) e optar por produtos mais baratos (20%).

Cerca de 18% dos agregados com estudantes a seu cargo dizem já ter recusado material escolar por considerarem ser muito caro, particularmente aqueles que residem em Lisboa (14%) e os que têm filhos a frequentar o 2.º Ciclo (28%).

Já 13% dos encarregados de educação admitem que fazem cedências no seu orçamento para poderem comprar o material escolar desejado, principalmente as famílias com menores rendimentos, que correspondem a 38%, e aquelas residentes em Lisboa (18%).

Apesar deste esforço de poupança, 51% dos agregados familiares dizem ter total capacidade financeira para financiar a educação neste ano letivo, algo que poderá ser explicado pelo facto de 61% dos encarregados de educação alegarem ter feito poupanças para esse propósito, e ainda 29% a admitir que as vão utilizar neste regresso às aulas. Já 18% das famílias dizem recorrer a cartões de crédito para poder pagar estes custos, sendo este o valor mais baixo apurado no estudo dos últimos seis anos.

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