Farfetch estima perda de até 125 milhões de dólares no primeiro trimestre

O CEO explica aos acionistas que a empresa continua focada em atingir a rentabilidade no próximo ano mas cancelou o ‘guidance’ para 2020 devido à evolução da pandemia de Covid-19.

Cristina Bernardo

A Farfetch divulgou esta quinta-feira as previsões de resultados do primeiro trimestre de 2020 e estima perdas de 70 milhões de dólares a 125 milhões de dólares. Já o EBITDA (resultado após juros, impostos, depreciação e amortização) deverá ser negativo em 21 milhões de dólares a 25 milhões de dólares, uma valor melhor do que estava na guidance da empresa para este período.

Por outro lado, a tecnológica luso-britânica prevê um crescimento do volume total de mercadorias processadas (Gross Merchandise Value – GMV) de 43% a 46% e na plataforma digital de 17% a 19% nos primeiros meses do ano. Segundo a informação divulgada esta quinta-feira pela Farfetch, esta subida deve-se ao bom desempenho da China, que continuou a crescer mais rápido do que o resto do mercado em geral, e a partir fevereiro acelerou.

Numa carta dirigida aos acionistas, o CEO da Farfetch, José Neves admite que o contexto em que o mundo se encontra gera imprevisibilidade, mas garante que a empresa continua focada no “caminho para a lucratividade” e mantém o objetivo de atingir a rentabilidade ao nível do EBITDA ajustado (breakeven) em 2021.

“Ao longo dos meus mais de 20 anos na indústria de luxo, vi em primeira mão que a indústria de bens de luxo pessoais, de 300 mil milhões de dólares, é extremamente resistente. Segundo fontes do setor, durante a recessão de 2009 o setor contraiu 8%, mas teve uma forte recuperação em 2010 (+14%)”, pode ler-se na missiva.

Em termos de liquidez, a multinacional espera encerrar o primeiro trimestre de 2020 com caixa e equivalentes a caixa de aproximadamente 420 milhões de dólares.

José Neves admite ainda que não sabe como é que os efeitos económicos vão impactar as despesas gerais dos consumidores. “Acredito que uma das principais razões para a contração da indústria de luxo em 2020 serão as proibições prolongadas de viagens (e, mesmo depois que de serem levantadas, demorará um tempo até que os consumidores viajem da maneira que costumavam)”, prevê o gestor.

Porém, o empresário português mostra-se otimista em relação ao potencial do digital durante a pandemia. “Os atrasos nas entregas de outono-inverno 2020 devido a paralisações nas produções vão afetar os inventários dos nossos vendedores. Esperamos atrasos nas entregas às boutiques, embora também prevemos que os canais eletrónicos, como o nosso marketplace, sejam priorizados pelas marcas”, refere José Neves.

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