Farfetch regista mais um dia de quedas e ações já perderam metade do valor do IPO

Prejuízos do segundo trimestre deste ano estão a refletir-se negativamente nas ações da plataforma luso-britânica. Títulos sofreram queda de 44,49% para um valor por ação de 10,13 dólares.

Cristina Bernardo

As ações da Farfetch, plataforma portuguesa e britânica de venda de artigos de moda de luxo, terminaram a sessão desta sexta-feira nos 10,13 dólares após mais uma queda abrupta em bolsa de 44,49%. De resto, o dia de hoje marcou um mínimo na desvalorização destas ações: um mínimo de 9,22 dólares.

A 21 de setembro de 2018, a tecnológica luso-britânica encaixou 885 milhões de dólares – equivalente a cerca de 751 milhões de euros – na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), tendo o preço por ação superado as estimativas. Cada um dos 44,2 milhões de títulos foi vendido a 20 dólares (17 euros). Desta forma, as ações já valem metade do valor do IPO.

Esta semana, a Farfetch apresentou os resultados do segundo trimestre do ano com prejuízos de 89,6 milhões de dólares, mais 409% que em igual período do ano anterior, altura em que o resultado negativo foi de 17,6 milhões de dólares. Os prejuízos juntam-se àqueles que o grupo apresentou no primeiro trimestre do ano, que ultrapassaram os 109 milhões de dólares.

Melhor comportamento tiveram as receitas, que atingiram os 209 milhões de dólares, que compara com os 146 milhões atingidos no segundo trimestre do ano passado, mais 43%, tendo mesmo ultrapassado os 174 milhões obtidos no primeiro trimestre. O EBITDA ajustado é também, no segundo trimestre, negativo em 37,6 milhões de dólares.

José Neves, fundador, CEO e co-presidente da plataforma tecnológica global líder da indústria de moda de luxo, disse, citado por comunicado oficial, que “a Farfetch continuou a apresentar crescimento. A nossa proposta impulsionou o crescimento além das nossas expectativas, mas também do crescimento da indústria de artigos de luxo pessoais online, à medida que continuamos a ganhar posição de mercado”.

Recomendadas

Inflação pode retirar competitividade às empresas portuguesas

Responsável da Fundação AIP considera que os custos nos transportes, aliados ao atual quadro político poderá levar a que esta não seja a melhor altura para o sector empresarial se expandir para os mercados mais longínquos. Investir na vertente digital é outro dos desafios.

Bancos sujeitos a coimas até 1,5 milhões se não aplicarem diploma do Governo para crédito à habitação

Está já em vigor, a partir deste sábado, o diploma que estabelece medidas destinadas a mitigar os efeitos do incremento dos indexantes de referência de contratos de crédito para aquisição ou construção de habitação própria permanente. Bancos têm 45 dias a partir de hoje para aplicar as medidas.

Ministra da Justiça diz que é preciso melhorar condições dos processos de recuperação de empresas

“A melhoria das condições de processos de recuperação [de empresas], sobretudo em períodos de insolvência e de dúvida, como o que atravessamos, é um desafio, mas um desafio que temos de concretizar”, afirmou Catarina Sarmento e Castro.
Comentários