Fascinante

Estivemos recentemente em Macau para participar na vigésima edição da MIF – Feira Internacional de Macau, ponto de encontro de muitas culturas e identidades para negócios e partilha de experiências. Portugal teve uma presença de relevo, com muitas empresas de variados setores de atividade, concentradas num único pavilhão, sob a orientação da AJEPC, Associação de […]


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Estivemos recentemente em Macau para participar na vigésima edição da MIF – Feira Internacional de Macau, ponto de encontro de muitas culturas e identidades para negócios e partilha de experiências. Portugal teve uma presença de relevo, com muitas empresas de variados setores de atividade, concentradas num único pavilhão, sob a orientação da AJEPC, Associação de Jovens Empresários Portugal-China.

O mais curioso e que merece destaque é o facto de as empresas portuguesas não terem sido apresentadas isoladamente, mas antes integradas num único pavilhão, designado da lusofonia. Em Macau e perante os chineses, Portugal ganha força e dimensão e, a continuar assim, o mundo lusófono tem outra aparência mundial e compete com mais argumentos. Não é muito normal ver-se este tipo de partilha e organização entre outros países que tiveram Histórias comuns.

Na Ásia, Portugal dá cartas e é um exemplo reconhecido. Os chineses respeitam-nos e admiram o nosso legado. Eles sabem que fomos nós que lá chegámos primeiro e iniciámos um novo ciclo de negócios entre continentes e que eles tanto apreciam. Não foram eles nem outro País asiático que dobraram o Cabo das Tormentas para chegar ao Ocidente. Toda a Ásia sabe da nossa existência e em muitos países existem não só vestígios, mas também múltiplas palavras portuguesas nos seus léxicos. Desde a costa oriental de África até ao Japão, há sempre uma História de um português e que começa a evidenciar-se ao nível global.

A Ásia foi apelidada como sendo o continente do século XXI, ao ponto de se reconhecer que seria ali que se dava o maior crescimento económico e donde partiriam as maiores influências à escala global. Ali, tudo se move a uma velocidade alucinante. Trabalha-se 7 dias por semana, 3 turnos diários e tudo está sempre disponível e ao nosso alcance.

No meio desta azáfama, estávamos nós a sair de Macau, quando dava entrada no território uma comitiva de famosas estrelas de Hollywood. À cabeça, o realizador Martin Scorcese e os atores Robert de Niro e Leonardo DiCaprio para marcarem a inauguração de mais um casino gigante. Ao todo, já são quase 50 casinos, o que faz de Macau a Las Vegas da Ásia, ultrapassando-a mesmo em exuberância e qualidade de vida.

Mas o mais curioso é que Robert de Niro não se limitou a visitar Macau, fazer o seu trabalho, ganhar umas patacas e sair. Robert de Niro foi mais longe ao considerar “fascinante” a presença histórica dos portugueses em Macau. Ele, como cidadão ocidental, reconheceu esse mérito e sentiu-se também, nessa qualidade de ocidental, um pouco português. Scorcese, por seu lado, não só não poupou elogios como fez referências ao seu novo filme “Silence” e que aborda a chegada dos portugueses ao Japão.
Enquanto aqui, na terra lusitana, se discutem pormenores de dimensão reduzida em conversas de corredor e que daqui não saem, o mundo começa a despertar para o que fomos e o que fizemos. Aqui parece que não queremos mais ser grandes nem dar continuidade à obra dos antepassados, por vergonha ou porque já sabemos tudo e não pretendemos saber como fazer.

Esta visita a Macau de estrelas de Hollywood pode ser o início de uma grande viragem histórica ou o início de uma vasta odisseia. A presença portuguesa na Ásia começa a interessar à industria cinematográfica. E se ninguém nos ouve, porque não temos voz nem dimensão para sermos ouvidos, outros há que se encarregarão de pôr a História no seu lugar. E quem sabe se, em breve, se virarão para as Américas e redescobrem a nossa missão nessa parte do mundo e qual terá sido o verdadeiro papel de Colombo? Está por esclarecer a presença de Portugal nessa zona.

Que se saiba, Colombo nunca pisou solo dos Estados Unidos e o que se desconhece dele poderá ser encontrado e descodificado em Portugal. Tal como acontece em Macau, não será em livro nem em nenhuma outra forma de escrita que vamos demonstrar o que fizemos nas Américas. Basta aguardar que outros realizadores de Hollywood se lembrem de mostrar ao mundo o que fomos e o que fizemos.

Jorge Passarinho
Jornalista

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