Faturação dos negócios portugueses subiu 32% no verão, conclui rede de terminais de pagamento da Unicre (com áudio)

“Este é o primeiro ano em que podemos dizer que este crescimento é o real. Temos a exclusão do efeito Covid-19 e tivemos um verão finalmente sem restrições ao consumo estrangeiro”, disse Margarida Vicente, analista da Unicre, sobre o novo relatório “Reduniq Insights”.

O cartão bancário dos turistas voltou a impulsionar as vendas das marcas em Portugal durante o verão. A faturação dos negócios nacionais aumentou 32,2% entre o dia 1 de julho e 15 de setembro de 2022 quando comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com os dados da Reduniq, rede de terminais de pagamento da Unicre, apresentados esta quinta-feira.

Apesar de a faturação por via de cartões nacionais ter subido também a dois dígitos (19,6%), segundo o relatório “Reduniq Insights”, as compras dos visitantes estrangeiros foram as verdadeiras propulsoras dos negócios portugueses, porque tiveram um acréscimo bastante superior: de 82,5% nestes dois meses da chamada época alta.

“Desde 2020 que a pandemia moldava as nossas análises. Este é o primeiro ano em que podemos dizer que este crescimento é o real. Temos a exclusão do efeito Covid-19 e tivemos um verão finalmente sem restrições ao consumo estrangeiro, com muito impacto na faturação face a 2021”, explicou Margarida Vicente, analista de CRM (Customer Relationship Management) da Unicre.

Os irlandeses foram os turistas estrangeiros que mais gastaram nas férias em Portugal, numa média de 112 euros por transação. “A Irlanda é algo surpreendente e recente. Se fizéssemos este estudo em 2019 não seria a Irlanda neste top 5, mas sim a Alemanha. Já França tem o primeiro lugar no pódio no peso da faturação estrangeira em Portugal. Ainda assim, caiu 7 pontos percentuais face a 2021, o que significa que, no ano passado, o peso de França era ainda superior ao registado este ano (18%)”, destacou ainda a responsável de sistemas de gestão da relação com o cliente, na conferência de imprensa.

Tiago Oom, diretor comercial da Unicre e porta-voz oficial do “Reduniq Insights”, acredita que estas percentagens mostram que Portugal está, neste momento, “a colher os frutos de uma forte aposta, a nível de investimento e de promoção, no turismo, sobretudo para atrair o turismo externo. “O próprio cenário inflacionista tem promovido o aumento generalizado de produtos e serviços ligados ao sector turístico, o que acaba por também contribuir para o crescimento da faturação destes negócios”, crê.

Questionado pelos jornalistas sobre se antevê que o panorama se mantenha, Tiago Oom reconhece que “as previsões económicas não são hiper-sorridentes”, contudo o segmento do turismo ainda não indica sinais de abrandamento. “Somos um destino seguro e de eleição. Crescer considero um pouco atrevido, talvez possível, mas conseguiremos manter. Temos um país muito vocacionado para o turismo e acho que assim se deve manter”, antecipou. Quanto aos efeitos da inflação nas vendas, explicou que o volume processado nos terminais de pagamento poderá ter um acréscimo devido ao facto de os preços serem mais elevados, mas no fim do dia a faturação total deverá sofrer um decréscimo, porque “as pessoas terão de conter mais o seu consumo”.

Quando os especialistas da Reduniq olharam, sector e sector, para a faturação total dos negócios (pelas transações de cartões nacionais e internacionais), aperceberam-se de que houve um aumento generalizado nas vendas tipicamente associadas ao turismo: enquanto o rent-a-car cresceu 85% face ao período homólogo, a hotelaria e a restauração aumentaram a sua faturação em 71% e 50%, respetivamente. Mais uma vez, motivados pelo fator visitante externo.

O CEO da consultora Return On Ideas, o convidado principal da sessão de apresentação do estudo, explicou que, para manter os atuais níveis do turismo, “os grupos hoteleiros vão ter de ser muito criativos a promover os seus produtos e a pensar os seus canais” e, a partir do próximo ano, os cidadãos terão de repensar as férias mais caras que fazem, ou seja, começar a considerar que esse período de descanso normalmente maior e mais dispendioso será “um luxo” em vez de “uma vingança dos últimos dois anos”. Para Rui Dias Alves, uma das principais diferenças entre esta crise económica e a anterior, no período da troika, é que agora as marcas não têm margem para baixar preços, fazer mais épocas de descontos para incentivar ao consumo, uma vez que as empresas também se deparam com um forte aumento de custos em quase todas as cadeias de valor.

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