FdR tinha conhecimento das previsões para as necessidades de capital, diz António Ramalho

António Ramalho, CEO do Novobanco, garante que o banco cumprirá o rácio CET1 de 12%, definido no acordo do mecanismo de capital contingente, “qualquer que seja a decisão do Fundo de Resolução” sobre o novo pedido de capital.

Cristina Bernardo/JE

O Fundo de Resolução esteve sempre a par de quais eram as previsões para as necessidades de capital do Novobanco. A garantia é dada por António Ramalho, CEO da instituição financeira, depois de o fundo liderado por Máximo dos Santos ter afirmado ter a “forte convicção” de que não era devido qualquer pagamento ao banco.

“Desde 23 de fevereiro de 2021 que o banco sempre apresentou a sua previsão para os resultados e os efeitos no capital” e em todos “esses documentos apresentados aos acionistas [Lone Star e Fundo de Resolução] há sempre uma perspetiva das necessidades de capital”, afirmou António Ramalho, presidente executivo do Novobanco, na conferência de imprensa desta quarta-feira para a apresentação dos resultados de 2021, naquele que foi o primeiro ano de lucros desde que foi criado.

“Acho que em todas as circunstâncias houve sempre uma previsão do montante”, reforçou, notando que este valor podia sofrer alterações até ao fecho das contas do ano, uma vez que está dependente de vários fatores. O Novobanco vai pedir mais 209 milhões de euros ao Fundo de Resolução, face às contas de 2021, tal como avançou o Jornal Económico (JE).

Depois de o JE avançar que o Novobanco ia concretizar um novo pedido, fonte oficial do Fundo de Resolução disse ter a “forte convicção de que não seja devido qualquer pagamento” ao Novobanco relativamente às contas de 2021.

Uma posição que foi reforçada pelo Governo. Em declarações ao jornal “Eco”, o ministro das Finanças afirmou que “não vai ser necessário a injeção. Partilhamos a perspetiva do Fundo de Resolução”.

Questionado sobre esta posição, e a possibilidade de o Fundo de Resolução se recusar a transferir o capital pedido, o CEO do Novobanco deixou uma garantia: o “banco sempre cumprirá o rácio de 12% qualquer que seja a decisão do Fundo de Resolução”.

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