Fectrans pede demissão imediata da administração da Infraestruturas Portugal

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) criticou na segunda-feira a administração da Infraestruturas de Portugal (IP) por “pretender antecipar as conclusões do inquérito” ao acidente em Soure e exige “a sua demissão de imediato”.

Foto cedida

“É altura de o ministério da tutela substituir esta administração incapaz de dar prioridade a um assunto importante para evitar acidentes ferroviários e devolver à ferrovia o que é da ferrovia, concentrando nesta a gestão unificada de todos os seus segmentos – operação, infraestruturas e manutenção”, defende a estrutura sindical, em comunicado.

A Fectrans e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário, o seu sindicato do setor, criticam a IP por, numa altura em que decorre um inquérito para apurar as causas da colisão entre um Alfa Pendular com 212 passageiros e um veículo de conservação de catenária, da qual resultaram dois mortos, a administração ter já dito “quem são os culpados, para procurar desculpar as causas”.

“A administração foi clara a atribuir culpas e depois procurou justificar a sua incapacidade de implementar as recomendações a que estava obrigada, que se o tivesse feito, como todos reconhecem, teria evitado o acidente”, salienta a organização sindical, na mesma nota.

Para a Fectrans, a atual administração da IP “já está fora de prazo, como se comprovou pelas diversas contradições sobre o assunto em análise”.

O descarrilamento do comboio Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, com 212 passageiros, provocou na sexta-feira dois mortos, oito feridos graves e 36 feridos ligeiros.

Dos 44 feridos, quatro tiveram alta no local, 28 foram transportados para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, incluindo três crianças, e 12 foram assistidos no Hospital da Figueira da Foz.

Quase todos os feridos já tiveram alta hospitalar, à exceção dos três que permanecem internados em Coimbra.

O comboio seguia no sentido sul-norte com destino a Braga e o descarrilamento ocorreu após o embate entre o Alfa Pendular e uma máquina de trabalho, perto da vila de Soure, junto à localidade de Matas.

Segundo uma nota informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a agência Lusa teve acesso, o veículo de conservação de catenária, no qual seguiam duas pessoas – as duas vítimas mortais -, passou um sinal vermelho e entrou na linha do Norte, tendo sido abalroado pelo comboio Alfa Pendular.

O Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminho de Ferro Portugueses frisou que há “recomendações anteriores noutros incidentes semelhantes com este tipo de material motor” por parte do GPIAAF, uma das quais à IP no sentido de “este material motor ser apetrechado do sistema CONVEL [sistema de controlo automático de velocidade]” e “essa recomendação não foi seguida”.

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Enquanto o presidente da IP, António Laranjo, defende que a linha do Norte “tem um sistema tecnologicamente avançado”, o vice-presidente Carlos Fernandes considera que o sistema Convel está ultrapassado. A nova solução só deverá entrar em funcionamento no final de 2021, na melhor das hipóteses.

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