Fed avisa já para novas subidas das taxas de juro este ano. Economia dos EUA na linha de água

A taxa de juro de referência vai ter de subir mais de 100 pontos base até ao final do ano. Economia dos EUA evita recessão, mas está em estado anémico, prevê a Fed.

A Reserva Federal norte-americana (Fed) anunciou hoje a subida da taxa de juro de referência em 75 pontos base para um intervalo entre os 3% a 3,25%.

Mas avisou já que vão ser precisas mais subidas ainda este ano para atingir uma taxa de juro de 4,40% até ao final de 2020, e depois nova subida para atingir os 4,60 % em 2023, segundo as previsões divulgadas hoje.

Isto indica que uma quarta subida consecutiva de 75 pontos base está na calha para a próxima reunião da Fed em novembro, que vai ter lugar uma semana antes das eleições intercalares. Uma nova reunião vai ter lugar em dezembro.

Em 2024, a taxa de inflação vai descer para 3,9% e para 2,9% em 2025, segundo as estimativas.

Simultaneamente, o banco central norte-americano projeta um arrefecimento económico nos EUA este ano, com o PIB a crescer apenas 0,2% para depois subir para 1,2% em 2023. Já a taxa de desemprego deverá atingir os 3,8% este ano e os 4,4% em 2023.

A inflação só deverá recuar para a meta de 2% da Fed em 2025. A inflação nos EUA atingiu os 8,3% em agosto, o nível mais baixo em quatro meses.

“O Comité continua fortemente comprometido em devolver a inflação ao seu objetivo de 2%”, segundo o comunicado hoje divulgado pelo Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC na sigla em inglês). O objetivo do Comité – que conta com 12 membros incluindo o presidente da Fed Jerome Powell – é “atingir o emprego máximo e uma taxa de inflação de 2% no longo prazo”.

“Os indicadores mais recentes apontam para um crescimento modesto no consumo e produção. As subidas salariais foram robustas nos meses recentes e a taxa de desemprego tem permanecido baixa. A inflação continua elevada, refletindo desequilíbrios entre a procura e a oferta relacionados com a pandemia, preços mais elevados da alimentação e energia e pressão nos preços a um nível mais alargado”, segundo o comunicado divulgado na tarde desta quarta-feira pelo banco central norte-americano.

“A guerra da Rússia contra a Ucrânia está a causar grandes dificuldades humanas e económicas. A guerra e eventos relacionados estão a criar pressão altista na inflação e estão a pesar na atividade económica global. O Comité está muito atento a riscos de inflação”, pode-se ler no documento.

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