Fed reconhece que juros podem subir a ritmo mais baixo nas próximas reuniões

A autoridade monetária norte-americana frisa nas atas da reunião de novembro o atraso com que os efeitos da política monetária se fazem sentir na economia real, apontando cada vez mais a subidas menos expressivas do que os 75 p.b. das últimas quatro reuniões. Mercados reagiram em alta.

As atas da reunião de novembro da Reserva Federal mostram que o Comité Federal de Mercado Aberto (FMOC, na sigla em inglês) estará inclinado a abrandar o ritmo de subida dos juros nos EUA, dando algum alívio aos mercados e à economia real numa altura em que a inflação começa a dar sinais de ter já atingido o pico.

Nos documentos revelados esta quarta-feira referentes à reunião de novembro, uma “maioria substancial” dos membros do FMOC reconhece que será “brevemente apropriado” avançar com subidas menos expressivas do que os 75 pontos base (p.b.) que resultaram das últimas quatro reuniões.

Esta ideia havia já sido sinalizada pelo próprio presidente da instituição, Jerome Powell, na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio. Powell destacou o peso que a normalização monetária tem na economia real e chamou a atenção para os lags com que os efeitos da subida de juros se sentem, reforçando a necessidade de a Fed se manter dependente dos dados nas decisões que for tomando.

Estes efeitos são assumidos nas atas divulgadas esta quarta-feira, nas quais se lê que o Comité “levará em conta os efeitos cumulativos da sua política de aperto monetário, bem como os atrasos com que esta afeta a atividade económica e a inflação”, inscrição que não se encontrava nos documentos anteriores.

Perante estas notícias, os mercados reagiram com otimismo, levando os índices de Wall Street a somar pontos na sessão de quarta-feira. Quanto ao processo de subida dos juros, a esmagadora maioria dos analistas e investidores apontam agora para mais 50 p.b. na reunião de dezembro, por oposição aos 75 p.b. das anteriores reuniões.

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