Fenprof acusa ministério de apresentar medidas que já existem

A Fenprof acusou hoje o Ministério da Educação de anunciar medidas que já existem e pediu à tutela que divulgue as propostas antes da reunião negocial desta semana, apelando para que esta seja em simultâneo com todos os sindicatos.

André Kosters/Lusa

Segundo noticiou no domingo a RTP, o ministério vai levar para a mesa das negociações uma proposta no sentido de garantir a vinculação dos professores ao fim de três anos de serviço a contrato.

“O que o ministério está a dizer é o que já existe, atualmente os professores com três contratos consecutivos, anuais e em horários completos”, ficam vinculados, afirmou hoje Mário Nogueira, durante uma concentração na Praça do Rossio, em Lisboa, no âmbito do primeiro dia de greve que se realizou no distrito de Lisboa com uma “adesão superior a 90%”.

Para o secretário-geral, a novidade da medida seria se passassem a integrar todos os docentes com três contratos, independentemente do tempo de duração do contrato.

“Há professores que têm contratos de um mês, se ao fim de três meses os professores vinculam, então nós também estamos de acordo. Agora se é para manter tudo como está ou com uma ligeira alteração, então sinceramente…”, disse.

Da Praça do Rossio, Mário Nogueira fez um apelo à tutela para que envie as propostas que vai apresentar esta semana aos sindicatos.

“Não fazemos a mínima ideia, porque para termos conhecimento das propostas do ministério, tem de enviar documentos com essas propostas”, afirmou.

A Lusa também questionou o gabinete do ministro da Educação sobre os detalhes desta proposta, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.

A plataforma sindical responsável pela greve que começou hoje gostaria também que as reuniões negociais agendadas para 18 e 20 de janeiro fossem “uma única com todos os sindicados presentes, para defender os professores a uma só voz”, disse Mário Nogueira.

O assunto mais polémico em cima da mesa das negociações é o modelo de recrutamento e colocação de professores, com os sindicatos a exigir que se mantenha o modelo de colocação com base da graduação profissional.

A Fenprof deverá reunir-se com responsáveis do ministério a 20 de janeiro e Mário Nogueira deixa o aviso: “Se no dia 20 as respostas não forem as que os professores estão a contar, a greve vai continuar e com uma adesão ainda maior do que aquela que teve até hoje”.

Segundo Mário Nogueira, a adesão à greve de professores no distrito de Lisboa é “superior a 90%” com mais de uma centena de escolas encerradas.

Centenas de docentes do distrito de Lisboa estiveram também presentes hoje de manhã na concentração na Praça do Rossio, munidos de cartazes em que se destacava a palavra “Respeito”.

A greve de professores por distritos começou hoje e prolonga-se por 18 dias.

Depois de Lisboa, na terça-feira será dia de greve em Aveiro, seguindo-se Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, terminando no Porto a 08 de fevereiro.

A greve das oito organizações sindicais realiza-se ao mesmo tempo em que decorrem outras duas paralisações: uma greve por tempo indeterminado, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP), que se iniciou em 09 de dezembro e vai manter-se, pelo menos, até ao final do mês, e uma greve parcial ao primeiro tempo de aulas convocada pelo Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), que deverá prolongar-se até fevereiro.

No sábado, dezenas de milhares de professores e pessoal não docente saíram à rua para participar num protesto promovido pelo STOP.

As greves começaram no final do ano passado, antes do fim das aulas do primeiro período, e foram retomados no inicio do segundo período, ou seja, há duas semanas.

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