Fernando Medina quer transformar Airbnb em arrendamento para devolver Lisboa aos trabalhadores

Um terço de Lisboa é ocupado por habitações de arrendamento de curto prazo para turistas. Autarca quer colocá-las em arrendamento a longo prazo para trazer de volta os trabalhadores e famílias para a cidade.

Cristina Bernardo

Devolver Lisboa aos principais trabalhadores e trazer mais famílias para a cidade é uma das principais medidas que Fernando Medina quer implementar na capital após a pandemia. Para isso, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) pretende transformar as residências de Airbnb em habitações de arrendamento a longo prazo.

“Quero trazer aqueles que são a nossa força vital de volta ao centro da cidade à medida que a tornamos mais verde. Estamos a reavaliar as nossas prioridades pós-pandemia e a colocar os principais trabalhadores que conduziram Lisboa pela crise da Covid-19 no topo da lista”, escreve Fernando Medina, num artigo de opinião publicado no jornal britânico “Independent“.

O autarca não esconde que nos últimos anos Lisboa beneficiou enormemente dos milhões de turistas que percorrem as ruas da capital e desfrutam dos restaurantes e bares, “mas pagamos um preço social”.

“Os trabalhadores e as suas famílias são cada vez mais forçados a sair, já que as residências de férias estilo Airbnb ocupam mais de um terço das propriedades no centro da cidade de Lisboa, aumentando os preços de aluguer, esvaziando as comunidades e ameaçando o seu caráter único”, explica o autarca.

Fernando Medina quer, desta forma, trazer as pessoas que são a força vital de Lisboa de volta ao centro da cidade, à medida que a torna a capital do país mais verde, sustentável e um lugar melhor para morar e visitar. “Estamos a oferecer-nos para pagar aos proprietários para transformar os milhares de espaços de aluguer de curto prazo em casas de “aluguer seguro” para os principais trabalhadores”, afirma.

O autarca considera que esta é uma estratégia ousada que oferece aos proprietários uma renda estável e de longo prazo, ao mesmo tempo que cria uma oportunidade de recriar uma cidade mais vibrante, saudável e equitativa. Mudanças que também poderão ajudar a enfrentar a crise climática e a melhorar a saúde pública na cidade: “Menos veículos na estrada significam menos poluição e emissões nocivas que poluem o ar que respiramos, além de contribuírem para o aquecimento global. Nas cidades do mundo inteiro, vimos melhorias incríveis na qualidade do ar durante o confinamento”.

O presidente da CML destaca as ciclovias que estão a ser criadas na cidade, assim como as áreas verdes e espaços públicos para dar às pessoas mais lugares para socializar e fazerem exercício. “Como presidente estou determinado em criar um futuro melhor a partir da tragédia da pandemia do coronavírus”, escreve.

Em relação aos espaços de Airbnb, Fernando Medina relembra que durante décadas, muitos dos  residentes idosos foram ameaçados com despejos, tendo em conta que aumentava a pressão para converter mais propriedades em arrendamento de curto prazo. “Iniciámos um programa para garantir que possam ficar nas suas casas e não percam os laços enraizados com a cidade. Nada disto significa que não queremos turismo ou que não precisamos de visitantes em Lisboa”, sublinha.

O autarca frisa que a pandemia trouxe perdas e dificuldades “inacreditáveis” ​​ao povo de Lisboa e às cidades em todo o mundo. “Não devemos deixar passar este momento de profundo trauma e perturbação e simplesmente voltar aos negócios como de costume. Este é um mundo destinado a mudanças climáticas catastróficas e desigualdade brutais”.

Como tal, Medina diz estar a trabalhar com um grupo de autarcas de cidades como Milão, Melbourne ou Seul e muitas outras cidades da rede C40 para determinar como pode ser feita uma recuperação verde e justa da pandemia da Covid-19. “Em Lisboa estamos determinados a aproveitar este momento e criar um novo caminho para a nossa cidade, a fim de garantir que ela permaneça saudável, vibrante e aberta a todos”, realça, no texto publicado no jornal do Reino Unido.

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