Ferroviárias consideram “insustentável” a subida dos preços da energia e pedem medidas

A APEF diz que é “inexplicável” haver Fundo Ambiental, criado para promover a transição energética, que “não apoia” o investimento no “transporte mais sustentável”, o comboio.

A Associação Portuguesa de Empresas Ferroviárias (APEF) manifestou esta quinta-feira a sua “profunda preocupação” com a atual situação macroeconómica, na qual os operadores ferroviários se veem confrontados desde o início do ano com uma subida de custos quer dos combustíveis quer da eletricidade. Os grupos da ferrovia acreditam que essa escalada de preços põe até em causa a sua sustentabilidade.

“Nas condições atuais há uma efetiva perda de competitividade da ferrovia face à rodovia, o que levará a uma transferência modal para a rodovia, contrária aos objetivos de sustentabilidade e descarbonização da economia portuguesa”, alerta a APEF, em comunicado enviado aos meios de comunicação social.

A associação informa ainda que apresentou ao Governo as dificuldades resultantes desta subida de preços, que acredita pôr em causa o transporte ferroviário de mercadorias, e apresentou um conjunto de medidas para mitigar os efeitos desse aumento, nomeadamente apoios financeiros. No entanto, a APEF lamenta ainda não ter obtido respostas nem nada ter sido feito.

“Este aumento não é possível ser absorvido pelos operadores, pelo que terão de ser refletidos no preço dos serviços de transporte, o que põe em risco a competitividade das exportações portuguesas e da ferrovia como meio de transporte para as mercadorias”, explicam os representantes das empresas ferroviárias.

“Verificamos um contraste quer com a rodovia – que dispõe de apoios financeiros – quer com a ferrovia noutros países europeus, que já dispõe de apoios financeiros para fazer face aos constrangimentos existentes”, argumenta o diretor executivo da APEF, na nota tornada pública esta tarde. “Não havendo qualquer apoio financeiro, os operadores ferroviários poderão vir a ter de tomar medidas difíceis, procurando salvaguardar as suas empresas, os seus trabalhadores e compromissos assumidos”, advertes Miguel Rebelo de Sousa.

A APEF caracteriza como “inexplicável” o facto de haver um Fundo Ambiental, criado para promover a transição energética, que “não apoia nem promove de forma alguma o investimento na transferência modal para o modo de transporte mais sustentável: o comboio”.

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