Filho de Tony Blair tem negócio de mais de 800 milhões na área da educação

A missão de vida de Euan Blair, segundo o próprio, é “garantir que os melhores empregos da próxima década não vão apenas para as mesmas pessoas que conseguiram os melhores empregos da última década”. A sua empresa oferece formação com base no trabalho adaptado às necessidades de cada um.

Euan Blair, filho mais velho do antigo primeiro ministro britânico Tony Blair, recebeu na quarta-feira a medalha da Ordem do Império Britânico por serviços à educação. Aos 38 anos, é fundador de uma empresa de treino de aprendizagens avaliada em 700 milhões de libras (cerca de 819,4 milhões de euros), a Multiverse.

Segundo o “The Guardian”, Euan distingue-se do pensamento de Tony Blair — que foi eleito primeiro-ministro em 1997 depois de prometer que a sua prioridade estaria assente na educação e, mais tarde, estabeleceu a meta de levar 50% dos alunos que abandonam a escola para a universidade, que só foi atingida até 2019 — por valorizar o processo de aprendizagem em si e não os seus indicadores. Recentemente, pediu ao governo que considere descartar os exames e também os diplomas universitários para muitas pessoas.

“Quando se olhava para a meta de 50%, a crença era que quanto mais pessoas fossem para a universidade, mais pessoas poderiam ter acesso a grandes oportunidades, mais as pessoas fariam uma transição justa da educação em tempo integral para o emprego em tempo integral”, disse ao “The Telegraph”. “Não tem funcionado assim. Muitos estudantes acabam em empregos considerados de baixa qualificação que não precisariam de um diploma em primeiro lugar. Conseguir um diploma não garante um emprego”.

Blair argumenta que a “obsessão do país pela academia como um marcador de potencial e talento” está a impedir o progresso de pessoas de grupos minoritários e a falhar em atender às necessidades dos empregadores na era digital.

Ele próprio estudou na Universidade de Bristol antes de ir para Yale, e disse que teve a ideia de montar a Multiverse depois de seu primeiro emprego no banco de investimentos Morgan Stanley. “Comecei a minha carreira num banco de investimento estruturando dívida corporativa e derivados, armado com uma licenciatura em história antiga e um mestrado em relações internacionais que não me ensinou a fazer o trabalho’ , disse na conferência London Rising. “Eu efetivamente fiz um estágio, pois aprendi tudo o que sabia sobre esse trabalho no trabalho.”

Agora, o seu negócio, cofundado com a amiga Sophie Adelman em 2016, oferece “uma alternativa genuína e confiável que pode competir com a universidade” ao combinar alunos que deixaram a escola com mais de 300 empregadores, incluindo a Google, Facebook, Morgan Stanley e Depop, e formando com base no trabalho adaptado às necessidades de cada um. A par, tem atividades extracurriculares e sociedades semelhantes às da universidade.

Em relação ao seu trabalho, foi elogiado por priorizar a mobilidade social na empresa (da qual possui pouco menos de 50% das ações, o que significa que a sua participação pode valer até 350 milhões de libras), onde 53% dos aprendizes são pessoas de cor e 36% vêm de origens mais pobres. No ano passado, foi nomeado para uma taskforce do governo com o objetivo de melhorar a diversidade socioeconómica nos serviços financeiros.

A missão de vida de Blair, segundo o próprio, é “garantir que os melhores empregos da próxima década não vão apenas para as mesmas pessoas que conseguiram os melhores empregos da última década”.

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