Filipe Novais: Quem trabalha no sector farmacêutico “tem uma sensação de oportunidade perdida”

O diretor-geral da Astellas Farma considera que o desenvolvimento da indústria ficou aquém do potencial que foi atingido nas últimas décadas por outros países europeus. “A indústria farmacêutica pode ser um motor de inovação para a economia portuguesa”, diz.

O diretor-geral da Astellas Farma, Filipe Novais, considera que o sector farmacêutico “tem uma sensação de oportunidade perdida” no que diz respeito à industrialização do país e que a indústria “pode ser um motor de inovação para a economia portuguesa”.

O líder da empresa farmacêutica falou esta quarta-feira no Fórum Indústria Farmacêutica, organizado pelo Jornal Económico, no primeiro painel desta manhã, “O Papel da Indústria Farmacêutica na Economia”, moderado pelo subdiretor do Jornal Económico, Ricardo Santos Ferreira.

Este primeiro painel parte da premissa de que a indústria farmacêutica tem ganho peso económico, crescendo até a um ritmo mais acelerado do que a própria economia. Contudo, como nota Ricardo Santos Ferreira no início do debate, “há uma consciência de que há margem para crescimento no sector”, especialmente depois do impacto da pandemia que é agora reforçado pela guerra.

Além disso, a reconfiguração das cadeias de abastecimento coloca novas perspetivas de desenvolvimento ao sector.

Filipe Novais diz que todos os que trabalham no sector têm “uma sensação de oportunidade perdida” e compara o desenvolvimento do sector a outros países com resultados que o mesmo considera mais positivos, como a Irlanda, onde o foco esteve na industrialização, explica. “Nós já não estamos no início dos anos 2000, mas a oportunidade mantém-se para Portugal”, avisa o diretor-geral da Astella Farma.

Sobre o impacto sentido pelo sector nos anos de pandemia, Novais considera que é um sinal de que existem “outras áreas onde o país deve apostar” e dá o exemplo dos ensaios clínicos e das ligações às universidades. Sobrwtudo, explica, o fenómeno de arrasto que a indústria farmacéutica tem, sendo capaz de “levar atrás de si empresas pequenas, em desenvolvimento, e isso cria uma grande dinâmica”, garante.

A própria atração e retenção de talento assume “um novo paradgima”, com a implementação do teletrabalho que tornou o país – e a indústria – mais atrativo, explica Filipe Novais.

O potencial da indústria não é de menosprezar, acautela, porque a mesma “pode ser um motor de inovação para a economia portuguesa” mas que, se esse potencial continuar por concretizar, a responsabilidade recai também sobre o sector, além dos decisores políticos, diz.

Ainda sobre o desenvolvimento de novos medicamentos inovadores, Filipe Novais diz que “vemos empresas portuguesas, e a BIAL é claramente o nosso maior exemplo, mas há muitas outras a desenvolver medicamentos”, explica. Contudo, não descarta o potencial importado: “As próprias multinacionais têm uma importância fundamental no ecossistema”, mas há que tornar o país mais atrativo para esse investimento estrangeiro, admite.

“Atrás da presença da indústria há toda uma arrastada da economia. O Estado aí tem um papel particularmente relevante”, termina.

Neste mesmo painel, participaram também Daniel Torres Gonçalves, sócio da PRA – Raposo, Sá Miranda & Associados; Guilherme Monteiro Ferreira, diretor de Acesso ao Mercado e Assuntos Externos da GSK; e Sérgio Alves, Country President da AstraZeneca Portugal.

No segundo painel será debatida “A Importância da Inovação e Desenvolvimento para o futuro da Indústria Farmacêutica”, que conta com a participação de Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Janssen Portugal; e de João Norte, Market Access & Corporate Affairs da BIAL.

O Fórum da Indústria Farmacêutica é transmitido pela JE TV. Assista em direto ou reveja aqui.

Fórum Indústria Farmacêutica. Assista aqui em direto

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