Fim dos Vistos Gold é uma decisão “incongruente” do Governo, indica associação imobiliária

APEMIP concorda com a avaliação feita pelo Executivo ao programa ARI, mas classifica de “puro devaneio”, quem pensa que erradicar o programa é a solução para acabar com a corrupção ou a especulação imobiliária.

Paulo Caiado (presidente APEMIP)

A avaliação do Governo sobre a continuidade do programa dos ‘Vistos Gold’ tem merecido críticas por parte de vários representantes do sector imobiliário.

Em comunicado emitido esta quarta-feira, 9 de novembro, a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), classifica de “incongruente” a decisão de pôr fim ao programa de Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI).

“Pensar em acabar com um programa que em dez anos atraiu para o país cerca de 7.000 milhões de euros e foi catalisador determinante da reabilitação urbana e imobiliária empreendida nos centros históricos de Lisboa e Porto parece-nos uma decisão incongruente”, indica a associação liderada por Paulo Caiado.

A entidade considera que esta avaliação do Executivo é justificada e merecedora de mudanças e melhoramentos, mas deixa o aviso. “Pensar, apressada e emotivamente, que erradicar o Programa é a solução para acabar com a corrupção ou a especulação imobiliária, é puro devaneio”, pode ler-se no documento.

A APEMIP acrescenta ainda que afirmar como “verdade incontestável” que o programa dos ‘Vistos Gold‘ é responsável pelo aumento geral dos preços das casas, causando assim carências de habitação em Portugal, “peca por desonestidade intelectual e alheamento da realidade”.

A associação concorda que os investidores estrangeiros adquirem imóveis que se encontram em localizações caras e com valores acima de meio milhão de euros e com isso aumentam a pressão da procura nesse nicho de mercado. No entanto, “não se entende quais são as consequências sociais desse facto, excepto para os portugueses que pretendem adquirir imóveis de 600, 700, ou um milhão de euros”.

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