Finanças sustentáveis estão a entrar na oferta formativa

ISEG e Nova SBE estão na dianteira do ensino e investigação em finanças sustentáveis no país. As duas escolas têm vindo a lançar iniciativas inovadoras que traduzem a importância das suas apostas nesta área.

É opcional e está aberta a todos os alunos dos programas de mestrado. A cadeira em finanças sustentáveis (sustainable finance) lançada pela NOVA School of Business and Economics (Nova SBE)ainda antes da pandemia foi a primeira em Portugal e traduz a relevância que esta Escola dá ao ensino da sustentabilidade e, em particular, à sua vertente financeira.

Entre 150 a 200 alunos escolhem anualmente frequentar a disciplina, revela ao Jornal Económico (JE) Miguel Ferreira, Responsável pela Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” de Finanças Responsáveis da Nova SBE. O interesse dos alunos reflete uma nova realidade. Uma parte significativa do mercado de capitais avalia neste momento, já, o perfil ambiental, social e de governança corporativa de ativos financeiros para tomar decisões de investimento ou de crédito, explica o professor, salientando que, muito em breve, deixará de ser possível fazer este tipo de operações sem ter em consideração os temas ligados à sustentabilidade.

“Um gestor, um economista, um profissional do mercado financeiro, tem que estar munido de ferramentas para ajudar as empresas a tornarem-se mais responsáveis e sustentáveis nas três vertentes ESG — ambiental, social e de governance”, afirma.

Imbuída do propósito de preparar os alunos para as grandes tendências económicas e financeiras, como a inovação tecnológica ou as questões ligadas à sustentabilidade, a Nova SBE lançou, nos últimos tempos, um importante conjunto de iniciativas. Na área do ensino, Miguel Ferreira destaca ainda a introdução de tópicos de finanças sustentáveis em várias cadeiras obrigatórias aquando da recente revisão dos currículos. Finanças da Empresa e Investimentos Financeiros, que integram o curriculum do mestrado em Finanças – 11.º melhor do mundo e 9.º da Europa, segundo o Financial Times, são dois exemplos.

O tema das finanças sustentáveis também integra o portefólio para executivos da Nova SBE. A formação intensiva, com duração de três dias, destina-se, no geral, a todos os quadros das empresas que interagem com “stakeholders”.

Ao ensino junta-se a vertente da investigação. A Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” de Finanças Responsáveis promove e aprofunda o estudo de tópicos relacionados com a área das finanças sustentáveis. Exemplos? Como pode o aumento da temperatura afetar a produtividade dos trabalhadores? Como podem os eventos meteorológicos extremos afetar a capacidade de uma empresa de oferecer produtos no mercado?

A Cátedra já vai no terceiro “prolongamento” e está focada nas finanças sustentáveis. “Evoluiu para dar resposta aos desafios que as empresas enfrentam e às tendências do mercado”, justifica o professor.

Casa cheia no ISEG
Também no ISEG, a sustentabilidade é uma área de forte aposta. Em plena pandemia, a centenária Escola do Quelhas lançou um programa executivo pioneiro em Portugal sobre finanças sustentáveis, que não mais parou de realizar. A procura e o interesse por parte de empresas de diversos sectores da sociedade permitiu avançar já este ano com duas edições de Sustainable Finance: Green and Climate Finance, uma na Primavera e outra em setembro.

“A prova da qualidade do programa pode ser comprovada pelo facto deste curso se ter iniciado em 2020 e termos conseguido sempre ter salas com um numero de alunos entre os 35 e 45”, revelam Sofia Santos e Vítor Barros, coordenadores do programa, ao JE.

“É um tema que as empresas financeiras e não financeiras têm urgência em saber mais, pois é novo e não existe muita oferta substantiva que conjugue a componente científica ambiental com a componente económica e de gestão, como o nosso curso de Sustainable Finance no ISEG”, explicam.

Helena Maria Rocha, diretora Adjunta | Sustentabilidade: Estratégia e Comunicação do BPI, frequentou o programa e fala-nos de “um desafio profissional e uma expectativa de aprendizagem superada”. Destaca, entre outros, os “conteúdos atuais, oradores convidados relevantes” e dá nota especial aos professores “no despertar da curiosidade, incentivo à busca e à partilha de experiências”.

Paulo Oliveira, da área de Risco de Crédito do Santander, também foi ao Quelhas ao encontro de mais conhecimento. “O ISEG conseguiu reunir num único programa importantes conteúdos de formação de base ( plurais e de enorme amplitude internacional) e partilha da experiências com “players” e “stakeholders” dos sectores envolvidos”. Tudo em ambiente descontraído e com networking, mas mais importante de tudo, destaca: “sobre um desígnio muito importante para a humanidade”.

Na edição em curso, além de informação atualizada sobre os regulamentos e diretivas europeias, o programa disponibiliza uma série de webinares com convidados internacionais que têm uma grande experiência em trabalhar as diferentes áreas de financiamento sustentável. “Iremos ter testemunhos de várias partes do globo, com o objetivo de os participantes conseguirem compreender o amplo espaço que este tema ocupa à escala mundial”, acrescentam.

Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta terça-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta terça-feira.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta segunda-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta segunda-feira.

Portugal gasta 100 mil euros por aluno desde que entra na escola até ao 9.º ano

Em 2019, Portugal gastou 10.854 euros por estudante, enquanto a média da OCDE foi de 12.353 euros por aluno, segundo o documento hoje divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OCDE.
Comentários