Financiamento sustentável? Sim, e está cada vez mais próximo de si!

O balanço de um encontro entre banca, filantropia e empreendedorismo, unidos com um propósito único: criar modelos económicos mais ecologicamente responsáveis.

Nuno Brito Jorge, fundador e CEO da GoParity, Luís Jerónimo, Diretor do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável e Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Crédito Agrícola (Fotografia por: Cristina Bernardo)

O financiamento sustentável tem vindo a ganhar espaço. Pode esta ser uma oportunidade de construir uma economia mais justa?

Para explorar esta e outras questões, decorreu esta segunda-feira, dia 28 de novembro, a JE Brand Channel Talks: Financiamento Sustentável em contexto de proximidade. Pode assistir à Talk aqui.

Nesta conversa estiveram presentes três personalidades que no seu dia-a-dia trabalham para criar modelos económicos mais ecologicamente responsáveis: Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Crédito Agrícola, Luís Jerónimo, Diretor do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável e Nuno Brito Jorge, fundador e CEO da GoParity.

Entre os temas em cima da mesa destaca-se sobretudo o papel do financiamento no que toca a acelerar os processos que nos levarão a uma economia mais sustentável. Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Crédito Agrícola considera que “uma das vias mais importantes para acelerar a transição para uma economia mais sustentável (…) é dar um salto gigante no volume de investimento para apoiar setores chave para a descarbonização como por exemplo o setor energético, o dos transporte ou o setor agrícola”. Neste sentido a Banca terá um papel fundamental. Segundo Filipa Saldanha, “nos dias que correm cerca de 60% do investimento em energias públicas vem de dinheiro público”. Ainda assim, é necessário alargar as áreas de investimento e triplicar o valor de investimento  privado até 2030 se queremos cumprir com as metas de neutralidade carbónica, por isso a banca vai ter um papel “crucial porque vai permitir acompanhar este ritmo de crescimento de investimento privado.”

Mais do que financiar, pesa também no papel da Banca a capacidade de prestar apoio na orientação do processo de desenvolvimento de organizações ou projetos sustentáveis – “mais do que uma responsabilidade, é um dever”. Só será possível prestar este apoio através de um conhecimento muito profundo dos desafios sociais e ambientais da sociedade portuguesa, é este conhecimento que vai permitir identificar os riscos de negócio e como mitigá-los, desenhando oportunidades de atuação com impactos positivos.

Luís Jerónimo, Diretor do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável, complementa a intervenção de Filipa Saldanha apresentando uma alternativa de financiamento sustentável que não se prende com a banca, mas que se alinha pelos mesmos valores e ambições. O Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável “procura contribuir para o aumento do bem-estar da sociedade, ter um papel ativo naquelas que são as estratégias de mitigação, adaptação e transição na questão das alterações climáticas”, assumindo riscos que outros players do mercado ainda não estão em condições de assumir. 

A GoParity, representada por Nuno Brito Jorge, o seu fundador, também se juntou à conversa trazendo a debate mais uma forma de financiamento capaz de atingir o mesmo fim. A plataforma de investimento de impacto tem já cerca de 200 projetos concretizados nas mais diversas partes do mundo e cerca de 20 milhões de euros movimentados, ainda assim estes números ficam ainda mais extraordinários se os transformarmos em impacto ambiental: já possibilitaram cortar a emissão de mais de 25 mil toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera por ano. É uma plataforma ideal para quem procura investimento no seu projeto sustentável, mas também para todas as pessoas que pretendem investir em projetos de sustentabilidade. “Ao juntar as duas partes propõe-se a criação de valor adicional que está no empoderamento das pessoas. No fundo se as pessoas estão na posição de escolher em que é que o dinheiro pode ser utilizado, as pessoas escolhem o maior bem comum, combinando isso com a rentabilidade”, refere Nuno Brito Jorge.

Fotografia por: Cristina Bernardo

 

“Estamos cá por um bem maior”

Uma enorme fatia do tecido empresarial português é constituída por pequenas e médias empresas, para quem a transição para um modelo de negócio mais sustentável nem sempre é fácil. Por isso, a proximidade entre a banca e estes empresários pode ser decisiva para aumentar a sustentabilidade das empresas.

A Banca Cooperativa, com destaque para o Crédito Agrícola, tem o potencial “acrescido em envolver as comunidades locais”, destaca Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Crédito Agrícola. Atualmente contam com mais de 600 agências em funcionamento pelo país. Estas agências vivem atentas às necessidades locais, uma vez que estas são muitas vezes as mais expressivas.

As empresas locais “têm margens financeiras muito inferiores às das grandes empresas e por vezes têm também muitas limitações ao nível de recursos humanos e conhecimento técnico ao nível da sustentabilidade”, o que na visão de Filipa Saldanha pode constituir um entrave à procura de Financiamento para desenvolver a componente sustentável das mesmas.

 

A palavra de ordem: proximidade

Mais do que financiar é necessário estar ao lado de todas as organizações para que seja possível delinear planos de ação com metas mensuráveis. O apoio em contexto de proximidade, vai além do financiamento, crédito ou investimento direto, terá de funcionar praticamente em “regime de consultadoria para que consigam identificar quais as prioridades do futuro e implementar ações de terreno concretas”. Desta forma, o percurso da próprio Crédito Agrícola também se vai alterando: transacionar o seu posicionamento enquanto Banco Comercial para um Banco Consultivo, ao lado da sociedade e das pessoas. Afinal, é “destes pequenos negócios que nascem as ideias mais inovadoras”.

Efetivamente os recursos financeiros só por si não resolvem todos os problemas a que é preciso dar resposta, é preciso capacitar as organizações para utilizarem bem os recursos financeiros que têm disponíveis e é preciso pensar em como desenvolvemos estes apoios para contrariar a visão clássica de financiamento. Luís Jerónimo, Diretor do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável considera mesmo que “o investimento em contexto de proximidade permite adaptar as regras de financiamento podendo dar, a longo prazo, luz verde para a transformação das organizações, mais do que projetos”.

Para o remate daquele que foi um encontro entre banca, filantropia e o empreendedorismo, importa mais do que nunca reforçar que só através da colaboração de diferentes áreas é possível chegar a um objetivo que é comum: uma sociedade mais coesa, e sobretudo mais verde.

“Todos temos um propósito comum e todos trabalhamos em questões sistémicas e muito complexas, só vamos lá se tivermos uma ação concertada e coletiva, onde existe transferência de conhecimento entre várias áreas que trabalham em ciclos de vida diferentes de uma iniciativa, organização ou projeto”, assume Filipa Saldanha, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Crédito Agrícola. As oportunidades de colaborar são inúmeras porque existe um propósito comum. 

Descubra mais sobre esta conversa aqui.

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com o Crédito Agrícola.

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