Finlândia e Suécia tentam convencer Turquia a aceitar candidaturas à NATO

De diferentes formas, os dois países estão a investir na conformidade da Turquia com a vontade de entrarem na NATO. Armas e diplomacia são os caminhos encontrados.

Orçamento da defesa: 36 mil milhões de dólares

A decisão da Turquia em aceitar ou recusar a entrada da Finlândia e da Suécia na NATO está a ser levada muito a sério pelos dois países europeus. A Finlândia, que chegou a afirmar que só faria sentido entrar na aliança em parelha com a Suécia, já parece ter desistido dessa vontade. A Suécia, por seu lado, confrontada com as manifestações de elementos ligados ao Curdistão no seu território e com a consequente recusa de Ancara em manter o apoio, quer voltar ao princípio.

O Ministério da Defesa da Finlândia revelou esta quarta-feira que o país emitiu a primeira licença comercial de exportação de material militar para a Turquia desde 2019 – uma vontade expressa por Ancara para aprovar a candidatura de Helsínquia à NATO.

Riikka Pitkanen, assessor especial do ministério, disse, citado pelas agências noticiosas, que a licença de exportação concedida diz respeito a aço para ser usado em blindagem.

A decisão é considerada vital para a Turquia, numa altura em que Ancara aposta decisivamente no desenvolvimento da sua própria indústria de armamento. O país tem avançado em diversas áreas tecnológicas ligadas ao sector, nomeadamente no que tem a ver com veículos não-tripulados. Um barco está prestes a entrar em fase de produção, ao mesmo tempo que um avião já passou para uma segunda fase de testes experimentais. Segundo a imprensa turca, segue-se agora a possibilidade de criação de um submarino não-tripulado.

Para tudo isto, as compras ao estrangeiros afiguram-se essenciais – e a decisão da Finlândia de aceitar o repto vai de encontro à vontade mas principalmente às necessidades da indústria turca.

Do lado da Suécia, tudo de repente ficou mais difícil. As manifestações de turcos em território sueco deixaram Ancara exangue – principalmente depois de o mundo ter assistido à queima pública de um boneco que representava o presidente Recep Erdogan e à destruição de páginas do Alcorão.

A Suécia fez saber que quer retomar o diálogo com a Turquia, disse o primeiro-ministro Ulf Kristersson, logo após Ancara ter anunciado o cancelamento das negociações com Estocolmo e Helsínquia.

“A nossa mensagem coletiva é que queremos pedir calma e reflexão para que possamos regressar às negociações sobre a nossa adesão comum à NATO”, disse Kristersson, citado pelos jornais suecos, acrescentando que quer um retorno ao “diálogo”.

Ancara anunciou a sua decisão de suspender as negociações um dia depois de o presidente Erdogan ter dito que a Suécia não deveria esperar o apoio da Turquia à sua candidatura à NATO, dado permitir protestos curdos no seu território.

“Se não respeitam a religião da Turquia ou dos muçulmanos, não receberá nenhum apoio nosso na NATO”, disse Erdogan, observando que é evidente que a Suécia não deve esperar o apoio de Ancara.

Kristersson disse que havia “provocadores que querem estragar as relações da Suécia com outros países” e frustrar a sua tentativa de se juntar à aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos.

A Suécia e a Finlândia, que partilham uma fronteira de 1.300 km com a Rússia, decidiram em conjunto acabar com as suas tradicionais políticas militares de não-alinhamento.

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