Fitch aconselha BCP, Banco Montepio e Novobanco a apostarem na melhoria dos rácios de capital

O BCP, o Banco Montepio e o Novobanco deverão continuar a apostar na melhoria dos seus rácios de capital total, uma vez que operam com buffers comparativamente baixos, recomenda o “Fitch Ratings 2022 Outlook: Western European Banks”. A agência estima ainda que as emissões de dívida elegível para MREL sejam entre os 3 mil milhões e os 5 mil milhões de euros.

A Fitch melhorou as perspetivas de rating para os bancos do sul da Europa. Essa melhoria é impulsionada pela expectativa de um ambiente de negócios fortalecido para os bancos devido a uma forte recuperação económica, ajudada pela implantação de fundos da UE de próxima geração.

No caso dos bancos portugueses, a Fitch considera que há resiliência na qualidade dos ativos e na recuperação económica, que os riscos decorrentes do fim das moratórias são baixos, que o desempenho operacional aproxima-se do seu potencial de médio prazo, que os bancos vão melhorar os seus buffers de capital (e deixa recomendações especiais ao BCP, Montepio e Novobanco) e que as emissões de títulos que contam para MREL (Minimum Requirement for own funds and Eligible Liabilities)  vão continuar.

No que toca à resiliência da qualidade dos ativos, a melhoria da perspetiva da Fitch para os bancos portugueses baseia-se “na forte recuperação económica projetada para 2022 e na resiliência dos bancos, que se traduzirá numa recuperação dos resultados operacionais”.

A Fitch antecipa que a economia portuguesa irá beneficiar de um forte consumo privado, da melhoria das condições do mercado de trabalho e do contributo do NGEU (Plano de Recuperação e Resiliência). “Os bancos continuarão a gerir a qualidade dos ativos de forma proativa, enquanto aproveitam os benefícios da recente reestruturação. As eleições antecipadas de Portugal aumentam a incerteza, mas os resultados mais plausíveis são consistentes com a recuperação”.

A qualidade dos ativos permanecerá amplamente estável ou enfraquecerá apenas moderadamente em 2022. Embora se espere que as imparidades para empréstimos anteriormente sob moratórias aumentem, os bancos continuarão a trabalhar ativamente no seu stock de crédito improdutivo e a reestruturar empréstimos mais arriscados. “Esperamos mais vendas e redução de ativos problemáticos legados para ajudar a que o rácio médio de NPL fique abaixo de 5,5% no final de 2022”, diz a Fitch.

Os empréstimos anteriormente sob moratórias (cerca de 18% dos empréstimos brutos no final de agosto de 2021) continuam a ser a principal sensibilidade negativa à qualidade dos ativos. No entanto, o rácio de crédito malparado permaneceu baixo (abaixo de 5%) e os bancos têm classificado ativamente as suas exposições no Stage 2 – contratos cujo risco de crédito aumentou significativamente desde o reconhecimento inicial, mas para os quais não existe evidência objetiva de imparidade.

A Fitch vaticina ainda para os bancos portugueses que a receita permanecerá sob pressão em 2022, pois a forte concorrência, as baixas taxas de juros e o grande excesso de liquidez afetarão negativamente a receita de juros líquida. “Maiores volumes de empréstimos, condições favoráveis ​​de refinanciamento e crescimento das receitas de comissões devem ajudar a aliviar essas pressões”.

A redução gradual das imparidades para crédito – loan impairment charges (LICs) – que a Fitch espera que seja em 60pb-80pb em 2022, e os benefícios dos planos de reestruturação também devem ajudar o rácio lucro operacional/RWAs (ativos ponderados pelo risco) a recuperar para níveis ligeiramente acima de 1% em comparação com o potencial recorrente do setor de 1% a 1,5%.

A principal vantagem para a rentabilidade dos bancos portugueses viria de um aumento gradual das taxas de curto prazo, uma vez que os empréstimos são essencialmente de taxa variável, mas este não é o cenário de referência da Fitch para 2022.

A Fitch espera que o capital dos bancos portugueses continue a ser reforçado em 2022. A agência vê de forma positiva a redução contínua do consumo de capital inerente aos ativos problemáticos unreserved (não cobertos por imparidades) para níveis abaixo de 50% na maioria dos bancos e não espera um enfraquecimento material do capital.

O BCP, o Banco Montepio e o Novobanco deverão continuar a apostar na melhoria dos seus rácios de capital total, uma vez que operam com buffers comparativamente baixos.

“Os bancos portugueses terão de emitir mais dívida elegível para o MREL em 2022 para fazer progressos no sentido de cumprir os seus requisitos intermédios e finais”, avança a Fitch.

“Estimamos que as necessidades do setor de emissão de dívida elegível para MREL sejam entre os 3 mil milhões e os 5 mil milhões de euros. A maior parte das emissões provavelmente será através de dívida preferencial sénior, mas alguns bancos também podem emitir instrumentos subordinados para melhorar o buffer de capital total”, refere a agência de rating.

Embora alguns bancos portugueses tenham conseguido restabelecer o acesso ao financiamento não garantido a preços aceitáveis, o acesso ao mercado de bancos com almofadas de capital mais fracas ou os que são emitentes inaugurais pode ser mais sensível ao preço e sujeito a oscilações na confiança dos investidores, constata a Fitch.

Estas conclusões constam de um relatório da agência de rating –  Fitch Ratings 2022 Outlook: Western European Banks – publicado ontem e que conclui que os bancos da Europa Ocidental devem beneficiar da recuperação económica em 2022, especialmente os países do sul da Europa, onde se inclui Portugal.

O apoio do governo às economias e aos tomadores de empréstimos evitou uma forte deterioração na qualidade dos ativos, mesmo em economias mais fracas, onde os bancos puderam continuar a alienar ativos problemáticos. No entanto, os bancos em toda a Europa Ocidental ainda enfrentam pressão de receita devido às baixas taxas de juros, e esperamos que continuem adaptando seus modelos de negócios e investindo em canais de distribuição alternativos para resolver isso.

“Não esperamos uma aumento das imparidades para crédito em 2022, uma vez que as medidas dos governos para apoiar a economia se mostraram eficazes a limitar as perdas de crédito a níveis baixos. Os rácios de empréstimos com imparidade, que permaneceram bastante estáveis em 2021, irão aumentar modestamente à medida que as restantes medidas de apoio governamental forem eliminadas”, diz a Fitch.

“As nossas previsões para a Itália, Irlanda, Portugal e Grécia incluem potenciais alienações de ativos problemáticos, apoiadas pelos compromissos dos bancos de cumprir as suas metas de redução do rácio de crédito NPL [malparado], ao contrário da Espanha”, refere a agência de rating.

Os créditos a setores vulneráveis (por exemplo, turismo, hotéis, restaurantes e transporte), em particular para as PMEs, podem trazer em maiores perdas (incumprimento de crédito), mas devem permanecer administráveis dado as provisões constituídas (LLAs – loan loss allowance) em 2020.

Apesar dos aumentos acentuados nos preços das casas em muitos países da Europa Ocidental, a Fitch acredita que as sólidas regras devem mitigar o risco de queda dos preços se e quando os mercados imobiliários enfraquecerem.

“As nossas perspetivas para o setor bancário na maior parte do norte da Europa (e para a Europa ocidental como um todo) são ‘neutras’, pois esperamos que a recuperação econômica continue proporcionando um ambiente operacional de suporte para os bancos após o seu sólido desempenho em 2021”, diz a agência.

A Fitch mantém a convicção que os bancos nórdicos continuarão a ser os mais rentáveis da Europa Ocidental em 2022, seguidos pelos bancos do Benelux, Irlanda, Espanha e Suíça.

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