Fitch diz que falta de crescimento e custos mais elevados podem estimular a consolidação nas telecomunicações

O impacto nos operadores será diferente consoante o mercado e dependerá das estruturas de custos e da sua capacidade de transferir custos mais elevados para os utilizadores finais através de aumentos de preços, admite a Fitch que reconhece que as operadoras em Espanha e Itália terão mais dificuldade em aumentar os preços.

Reinhard Krause/Reuters

Uma inflação elevada e um menor crescimento económico terão um impacto gradual e retardado na capacidade do sector europeu de telecomunicações de aumentar a rentabilidade, diz a Fitch Ratings numa nota divulgada hoje.

A falta de crescimento e custos mais elevados podem estimular a consolidação do mercado em países como Itália, Espanha e Reino Unido para manter o ritmo dos investimentos e melhorar os retornos se houver uma estagflação prolongada e sustentada, defende a Fitch.

“Não prevemos uma degradação significativa dos preços e das estruturas de custos em 2022, mas esperamos que as pressões se acumulem e que moderem o crescimento e as melhorias das margens em 2023-2024”, refere a agência.

O impacto nos operadores será diferente consoante o mercado e dependerá das estruturas de custos e da sua capacidade de transferir custos mais elevados para os utilizadores finais através de aumentos de preços, admite a Fitch que reconhece que as operadoras em Espanha e Itália terão mais dificuldade em aumentar os preços devido à intensa concorrência de operadoras que precisam de ganhar escala com assinantes.

“Os fornecedores de infra-estruturas de telecomunicações, tais como operadores de torres móveis como a Cellnex e a Inwit, estão melhor colocados para repercutir o aumento dos custos nos clientes, devido a bases de clientes cativas e aos contratos de longo prazo indexados à inflação que repassam os custos de energia. Os operadores de telecomunicações móveis e fixas totalmente integrados tendem a ter contratos com clientes mais curtos, e estão mais expostos a flutuações da procura e à capacidade variável de aumentar os preços.

Segundo a Fitch, o impacto da inflação dependerá também da combinação de custos salariais, custos energéticos, programas de redução de custos existentes, da extensão da cobertura e da utilização de contratos de aquisição de energia (CAE), e também da extensão do leasing de activos e peso da dívida a taxa variável nas estruturas de capital de cada empresa.

“As margens das empresas que utilizam extensivamente a cobertura de custos e os CAE, tais como a Vodafone e a KPN, têm tido alguma protecção contra o aumento dos preços da energia. No entanto, esses contratos de cobertura expiram normalmente dentro de 12-24 meses e os preços são susceptíveis de aumentar a partir de 2023. As empresas que não cobrem os custos da energia estão a enfrentar pressões mais imediatas devido ao rápido aumento dos preços da energia”, alerta a Fitch.

“As operadoras têm meios de ajudar a amortecer o impacto da subida da inflação nos fluxos de caixa, tais como a capacidade de atrasar o Capex (tipicamente 15%-20% das receitas) a curto prazo para projectos de TI e roll-outs de redes, acelerando programas de optimização de custos e reduzindo temporariamente os orçamentos de publicidade. As operadoras poderiam ajustar as suas ofertas de produtos para compensar as pressões inflacionistas; por exemplo, através de planos de dados “mais por mais” (maiores concessões de dados por preços mais altos) que algumas operadoras móveis já introduziram, ou descontos promocionais mais pequenos”, defende a Fitch.

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